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Évora testa primeiro sistema de voto eletrónico no país. Não é obrigatório, mas é fácil e seguro

22 mai, 2019 - 18:18 • Rosário Silva

A Renascença acompanhou os preparativos do projeto-piloto, que será testado nas eleições europeias deste domingo.
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Depois de apresentar o documento de identificação, o eleitor recebe um cartão com um código, que só pode ser usado uma única vez, para registar o voto eletrónico. Inserido o cartão na máquina, no ecrã, surge o boletim de voto. Escolhe-se a candidatura ou pode-se votar nulo ou em branco. O sistema vai, ainda, pedir a confirmação do voto, ficando a operação concluída com a emissão de um comprovativo em papel que o eleitor vai dobrar e entregar na mesa para ser depositado numa urna selada.

Os procedimentos são simples, e quem tiver dúvidas pode contar com todos os esclarecimentos, uma vez que durante várias semanas foram muitos os que receberam formação para o efeito.

Silvino Alhinho é professor e vai estar a presidir a uma mesa de voto eletrónico na Escola Secundária André de Gouveia, em Évora. “Há mais de 30 anos que faço parte de mesas de voto e parece-me que é o tempo adequado para se começar a investir nestas tecnologias”, diz à Renascença. Conhecedor dos meandros eleitorais e depois de ter tido formação assegura que “estão salvaguardadas as questões de segurança”, esperando que a partir desta experiência se possa evoluir “daqui a alguns anos para a implementação de forma plena deste modelo.”

Na linha da frente, juntamente com o Ministério da Administração Interna, têm estado os 14 municípios do distrito de Évora. “Temos trabalhado arduamente para que todas as questões que se têm levantado, e há muitos pormenores, possam ter resposta capaz e no dia 26, tudo esteja em condições”, explica à Renascença, o presidente da câmara de Évora que é também o presidente da CIMAC, a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central.

Carlos Pinto de Sá ressalva o facto do voto eletrónico não ser obrigatório, manifestando, contudo, a vontade de que os eleitores experimentem para “nos ajudar a perceber se pode funcionar desta maneira em futuros atos eleitorais.”

“Está garantida a confidencialidade e está tudo preparado para que haja absoluta confiança no voto eletrónico”, sublinha Pinto de Sá. “Vou dar a minha contribuição.”

A Renascença visitou uma das freguesias do concelho de Évora onde o sistema esteve a ser testado. A freguesia urbana dos Canaviais tem 3.600 habitantes, dos quais cerca de 2.700 estão inscritos para votar.

O presidente da junta, Jerónimo José, admite que possam existir alguns receios por parte dos eleitores, mas assegura que serão dissipados. “Posso garantir que é um processo simplificado, intuitivo e, tirando as reservas iniciais pelo desconhecido, vai ser uma boa medida.”

Para o edil, o modelo tem a virtude de reduzir as desculpas para não votar. “Ninguém pode dizer que não votou nos Canaviais por causa de um batizado no Alandroal. É que, no domingo, votar lá é o mesmo que votar aqui”, exemplifica.

O presidente da junta de freguesia vai estar disponível para “tirar dúvidas” e “tranquilizar relativamente a alguma desconfiança que possa haver”. Quanto aos mais velhos, sabe que colocarão alguma resistência, mas acredita que muitos vão aderir tendo em conta que “já estão confortáveis com as tecnologias”, atendendo às aulas de informática sénior que a própria junta de freguesia dos Canaviais promove ao longo de todo o ano.


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