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Fernando Loureiro, do PURP

"Deviam ter sido dados uns bons murros na mesa quando fomos intervencionados"

22 mai, 2019 - 17:10 • Eunice Lourenço

Cabeça de lista do Partido Unido dos Reformados e Pensionistas quer uma UE mais solidária e humanista.
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O Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (PURP) concorre pela primeira vez às eleições europeias para tentar cativar eleitorado para as legislativas de outubro. Em entrevista à Renascença, Fernando Loureiro, o líder e cabeça de lista do partido, anuncia já também o candidato às regionais de 22 de setembro na Madeira.

O que é que o PURP tem a dizer nestas eleições europeias? O que é principal na vossa mensagem?

É a proteção e mais humanização sobretudo ao grupo etário a que nós pertencemos, não esquecendo os jovens porque temos filhos e netos. É mais com esses que nos preocupamos, porque um dia iremos embora e gostaríamos de deixar isto um pouco melhor, o que vai ser difícil.

Deixar um pouco melhor, também implica deixar uma União Europeia saudável ou o PURP acha que é preciso haver grandes mudanças?

Temos uma ideia muito interessante que é esta: muito embora os nossos concorrentes digam que vão para lá fazer 30 por uma linha, todos sabemos que não passa de retórica. Sabemos, perfeitamente que somos três por cento no meio de 751 milhões, se não vier embora o Reino Unido. Todos sabemos que as pessoas integradas num grupo e quando são tão poucos ou quase nenhuns pouco fazem ou nada. Tem de dizer 'ámen,' que é uma coisa que não devem fazer, devem defender sobretudo os interesses de Portugal, o que não têm feito. Quando fomos intervencionados, acho que deviam ter sido dados uns bons murros na mesa a dizer 'Então somos pobres e estão a castigar-nos?'.

Acha que os eurodeputados e os dirigentes políticos portugueses fazem pouco na Europa ou é mesmo mau para Portugal estar integrado na Europa?

Não sei se fazem pouco ou muito, eles vangloriam-se que fazem muito, mas o trabalho deles é dirigido por cima, por outros grupos, pelas famílias políticas em que estão integrados.

Concorda ou não com a integração europeia?

Sou a favor da integração europeia, mas não nos moldes em que está, em que os países fortes do Norte é que dominam isto tudo e nós não temos quaisquer hipóteses. O eixo franco-alemão é que dita as regras e nós, como somos pequeninos, abaixamos a bola.

Uma vez que acha que a forma como a União Europeia funciona não é boa para Portugal, que mudanças é que gostaria que existissem?

Devia de haver acima de tudo mais solidariedade entre os que mais podem e os que mais precisam e humanidade. Não havendo esse binómio, não sei o que lá estamos a fazer.

O PURP existe há pouco tempo. Estas são as primeiras eleições europeias a que concorrem. Porquê?

Concorremos a estas eleições europeias por duas razões. Uma é tentar puxar mais gente para nós para as eleições de outubro. Vamos também ter eleições na Madeira e temos um candidato que é o dr. Rafael Macedo. E a outra é ver o que valemos, quase como que numas primárias. Os partidos ricos, que gastam cinco milhões de euros em campanhas e todos os órgãos de comunicação social os acompanham, não precisam de gastar tanto dinheiro porque esse dinheiro faz falta ao povo.

E como é que um partido pequeno ....

... que vai ser grande

Sobrevive?

Com a generosidade de uns quantos como eu que, neste tempo de campanha, estou a gastar do meu dinheiro e no mês que vem se calhar vou começar a ler umas latas de sardinha. Isto não é uma democracia, para ser uma democracia todos os partidos deviam receber o mesmo e o Estado poupava muito dinheiro. Usamos também um pouco o Facebook, mas muita gente do nosso grupo etário já quase não vê.

Fala muito nas pessoas do vosso grupo etário, qual é a maior preocupação que têm?

A maior preocupação temos recebido todos os dias apelos lancinantes de pessoas que metem os papeis para a reforma e estão um ano à espera. vivem de quê? Pedem ao vizinho ao merceeiro? Até pessoas que estão emigradas. Depois precisam de consultas e não têm. As pessoas são mandadas para os lares de qualquer maneira.

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