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​Reitora da Católica defende que o mundo precisa de mais liderança feminina

20 mai, 2019 - 20:47 • Eunice Lourenço

Isabel Capeloa Gil recebeu doutoramento ‘Honoris Causa’ e foi a oradora convidada da cerimónia de graduação do Boston College.
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A reitora da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Isabel Capeloa Gil, defendeu esta segunda-feira que o mundo precisa de mais liderança feminina para ser equilibrado.

“As mulheres são grandes provocadoras de mudança e, nestes tempos interessantes, há uma necessidade inquestionável de lideranças humanas, competentes e solidárias. As mulheres cuidam, mas também estão prontas para assumir as funções e as responsabilidades que são agora confiadas aos outros 50% da população mundial”, declarou Isabel Capeloa Gil, que foi a foi a oradora convidada da cerimónia de graduação dos diplomados do Boston College, uma das universidades mais prestigiadas dos EUA.

Isabel Capeloa Gil, que na ocasião também recebeu o doutoramento Honoris Causa, foi a sétima mulher e a primeira não-americana a cumprir esta missão em 156 anos daquela universidade. Um “reconhecimento assinalável”, disse à Renascença, mas que estende à universidade que dirige e até a Portugal.

“Este reconhecimento é certamente do trabalho que fiz, mas também do contexto de onde venho, do trabalho da minha universidade e do sistema de ensino superior em Portugal”, afirmou já depois da cerimónia. E acrescentou que o convite que recebeu também é um sinal do “papel central que as universidades de elite americanas dedicam aos contatos internacionais e a uma visão da universidade como espaço de formação global”.

Quanto ao discurso, a reitora da UCP diz que a primeira mensagem que tentou passar é que “todos somos enformados por um conjunto de valores e de narrativas que são construídas pela comunidade onde vivemos, mas também pelas diferentes experiências que temos”. Ou seja, a ideia de que a vida de cada um é uma história a que vai dando sentido à medida que vai crescendo.

“O que interessa perceber é quais são os valores fundamentais que dão corpo a essa história”, afirma, explicando que, depois, quis salientar dois aspetos: o respeito pela diferença e o reconhecimento de todos.

“O problema da relação com o outro está na base não só do contrato cultural, mas da própria ideia do cristianismo e da dificuldade que é este diálogo com o outro, sobretudo num tempo como este em que nós vivemos em que é muito mais fácil a posição de antagonismo do que o compromisso e em que a verdadeira coragem existe quando se assume a possibilidade de um encontro com aquilo que é diferente, com aqueles que têm opiniões distintas das nossas e encontrara um ponto de diálogo, além de tudo aquilo que nos pode separar”, defende.

O outro aspeto é “reconhecer quem são os atores, as personagens que nos afetam, que fazem movimentar a história da nossa vida, mas também a das sociedades em que estamos”. E, continua, “para o desenvolvimento da narrativa das sociedades em que nos integramos é importante reconhecer que todos têm de participar independentemente do género e da etnia”.

Daí decorre a “importância de reconhecer a liderança das mulheres para assumir cargos de liderança em todas as áreas profissionais da sociedade, que essa liderança não impede em nada que continuem a fazer aquele trabalho notável de serviço ao outro e de dedicação que sempre fizeram e que faz parte da experiência da vida feminina”.

Um discurso que foi “um apelo também ao empoderamento feminino”, como resume a própria reitora, que também é presidente da Federação Internacional das Universidades Católicas.

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