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Eleições antecipadas na Áustria. Centenas celebram demissão de governante da extrema-direita

18 mai, 2019 - 17:01 • Inês Rocha (em Viena, capital da Áustria)

Heinz-Christian Strache renunciou ao cargo este sábado na sequência de um vídeo em que é visto a prometer adjudicação de contratos públicos em troca de financiamento.
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Largas centenas de pessoas juntaram-se este sábado em frente à chancelaria austríaca, em Viena, numa manifestação contra o vice-chanceler demissionário.

O clima na capital da Áustria é de grande alegria, após Heinz-Christian Strache ter renunciado ao cargo que ocupava no Governo.

Entretanto, o chanceler, Sebastian Kurz, não só aceitou a demissão, como anunciou que vai convocar eleições antecipadas "o mais depressa possível". "Depois do vídeo de hoje, o que é demais, é demais", afirmou Kurz aos jornalistas, na tarde deste sábado, em Viena.

A demissão de Strache surgiu na sequência de um vídeo divulgado esta manhã onde é visto a prometer a uma suposta sobrinha de um milionário russo a adjudicação de contratos públicos em troca de apoio financeiro para o FPÖ, partido de extrema-direita que integra o Governo conservador de Sebastian Kurz desde dezembro de 2017.

Eva está no jardim junto à chancelaria austríaca com os filhos e, face às notícias, confessa que este é um dia feliz.

"Estou tão contente que Strache finalmente se tenha ido embora", diz à Renascença. "Faz-me acreditar de novo na nossa democracia. É muito importante que o vídeo tenha vindo a público. Mostra as coisas de que ele é capaz. Ele quer reestruturar os media a seu bel-prazer", acusa.

Maximilian tem apenas 13 anos, veio à manifestação com os pais e à Renascença faz questão de dizer que "este é um grande dia para a Áustria".

"Ele [vice-chanceler demissionário] não é bom para a Áustria. Estou feliz que o vídeo tenha sido publicado, porque assim agora as pessoas viram como este Governo é estúpido."

Martin, 18 anos, diz que mais relevante do que o vídeo agora divulgado são os comentários racistas e as ligações a grupos de extrema-direita que o FPÖ já demonstrou ter. Para o jovem austríaco, o vídeo "é a ponta do icebergue", embora tenha potenciado algo que "já devia ter acontecido há muito tempo".

Sentado no jardim, enquanto outros manifestantes exigem legislativas antecipadas na sequência da demissão de Strache, Martin acrescenta, esperançoso: "Espero que isto tenha consequências nos resultados das eleições de 26 de maio."

A uma semana dessa ida às urnas nos 28 Estados-membros da UE, para escolher a composição do próximo Parlamento Europeu, as sondagens de opinião apontam que nacionalistas e populistas de extrema-direita como o austríaco demissionário podem tornar-se a terceira força política em Bruxelas.

Comentários
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  • me too
    18 mai, 2019 21:22
    Claro que num país civilizado se celebra a condenação de um pulha. Não interessa a que cor partidária pertence. É um pulha. PONTO