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Eleições europeias

Patriarcado apelou ao voto no Basta? Conheça a posição das organizações da Igreja

16 mai, 2019 - 17:13 • Ângela Roque , Filipe d'Avillez

No rescaldo da publicação polémica no Facebook do Patriarcado, saiba como se posicionam os bispos portugueses e outras organizações católicas sobre as questões europeias.
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Foram várias as organizações ligadas à Igreja Católica que tomaram posição relativamente à importâncias do voto nas eleições europeias, alertando para os problemas que afetam a Europa.

No geral, as organizações rejeitam os discursos nacionalistas e apelam a uma política mais inclusiva para com os migrantes.

Carta Pastoral dos bispos portugueses

A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa reuniu no final de abril, em Fátima, tendo aprovado a Carta Pastoral “Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da Doutrina Social da Igreja". O documento começa por destacar que “toda a vida humana tem igual valor”, rejeitando o aborto e a eutanásia, defendendo o "direito à vida na sua gestação", mas também "na fase do seu crescimento", "por parte de jovens comprometidos", "nas relações familiares", "da parte dos idosos" e o "direito a viver até ao fim". Mas é abrangente nos temas que toca. Embora valorize a “paulatina ultrapassagem da crise”, o texto alerta para a “quebra de investimento na saúde e na educação”, e para a "degradação dos serviços públicos".

A propósito das migrações, os bispos consideram “inaceitáveis” as correntes inspiradas no “nacionalismo de exclusão”. E alertam: “não estamos imunes a um clima de medo e desconfiança em relação aos estrangeiros, bem como o perigo de os encarar como concorrentes a postos de trabalho ou ameaça ao nosso nível de vida, esquecendo que muitos de nós buscam o mesmo estatuto e nível de vida noutros países”.

Lembrando que neste momento se assiste na Europa a “movimentos de desagregação”, como o Brexit, e ao “crescente nacionalismo autoritário ou populista, acompanhados da generalização do discurso xenófobo”, e ao “regresso de ideologias neonazis e antissemitas”, os bispos sublinham que “a intolerância alimenta-se do ódio, e o ódio alimenta-se do medo, num ciclo vicioso difícil de romper”, e que “as próprias comunidades cristãs e os seus templos têm sido vítimas de atentados”. E acrescentam que cabe, por isso, aos católicos “promover soluções que combatam um ambiente de generalizada violência física, verbal e psicológica, que polui o ambiente e tolda de inútil crispação a relação entre as pessoas. Cabe-nos a nós contribuir para a justiça e a participação cidadã”.

Serviço Jesuíta aos Refugiados

O JRS Portugal desenvolveu uma campanha de sensibilização com o conceito “O teu voto tem poder”, com o objetivo de “apelar ao voto em consciência” em quem defenda os valores e posições do JRS “em matéria de acolhimento e integração de migrantes e refugiados”.

“O teu voto cura feridas”, “O teu voto resgata famílias” ou “O teu voto corta arame farpado”, são algumas das frases inscritas nos cartazes da campanha. Para esclarecer os eleitores, o JRS analisou e resumiu os manifestos de todos os partidos, e enviou uma carta com perguntas a cada um dos cabeça-de-lista às eleições europeias, a pedir que “partilhem a sua posição” sobre várias questões relacionadas com as migrações e asilo, como seja “o aumento de vias legais e seguras de acolhimento de refugiados”, a definição de um “visto humanitário europeu”, ou a “obrigação da participação de todos os Estados-membros no acolhimento de refugiados”.

Segundo o JRS “o Parlamento Europeu desempenha um papel crucial na vida dos refugiados, requerentes de asilo e migrantes forçados, influenciando de maneira determinante o processo de tomada de decisão em matérias que lhes dizem respeito, pelo que é fundamental saber quais são as respostas que os candidatos ao Parlamento Europeu se propõem a dar”.

Alguns partidos já responderam. Os resultados vão sendo publicados no site do Serviço Jesuíta aos Refugiados.

Cáritas Portuguesa

A 9 de Maio, Dia da Europa, a Cáritas Portuguesa apelou à participação dos portugueses nas próximas eleições, esperando que o ato eleitoral consagre uma Europa “unida pelo reforço do espaço de liberdade, paz e justiça social”.

Lembrando que dia 26 “serão legitimados os atores políticos que nas instituições europeias vão determinar as regras que orientam e condicionam, de forma cada vez mais vasta, a nossa vida social”, a instituição católica sublinha que o “contributo de todos os portugueses através do voto é fundamental para que a comunidade de países possa prosseguir no caminho de uma Europa unida pelo reforço do espaço de liberdade, paz e justiça social. Onde cada cidadão usufrua do bem-estar necessário à sua vida em felicidade”.

Nesse sentido a Cáritas apela “veementemente a todos os cidadãos para que no dia 26 de maio não se abstenham de exercer o seu direito de voto”.

A 15 de maio, Dia Internacional das Famílias, a Cáritas apelou aos candidatos que defendam e promovam “políticas mais favoráveis à família”, que ajudem a contrariar o “declínio demográfico” em curso na Europa, e os níveis crescentes de pobreza e exclusão social, que comprometem o futuro da sociedade.

Por fim, no dia 16, precisamente em antecipação das eleições europeias, a Cáritas publicou um relatório em que afirma que “migrar é um direito” e defende que os migrantes dão mais a ganhar ao país do que recebem em apoios sociais.

Comissão Nacional Justiça e Paz

A CNJP, que integra a plataforma Justiça e Paz Europa, sugeriu aos futuros eurodeputados quatro áreas prioritárias de atuação, de modo a que se possa "superar a crise de confiança no projeto da União Europeia". A primeira é a “justiça social”, contra as desigualdades de distribuição de riqueza entre as várias regiões da União Europeia.

Para o organismo católico outra das prioridades deve ser o “combate ao desperdício alimentar”, pedindo mesmo ao PE que estabeleça “metas obrigatórias” de redução do que se desperdiça.

A Comissão Nacional Justiça e Paz defende, ainda, o “fim da exportação de armas” que possam vir a ser utilizadas em guerras ou conflitos, sublinhando que devem ser respeitadas as regras europeias que já existem, nesta matéria. E considera fundamental insistir no respeito pelos direitos humanos por parte de empresas multinacionais europeias, que devem ser monitorizadas, para ver como se comportam nos países em desenvolvimento, e punir as que tenham de ser punidas.

A CNJP diz, ainda, esperar que os candidatos portugueses a eurodeputados tenham “em especial um empenho na abertura da Europa ao mundo, para que esta não se transforme numa fortaleza alheia aos problemas que se vivem em seu redor”, e pedem uma atenção especial de Portugal em relação aos países lusófonos, que “estão entre os que mais sofrem a pobreza”.

Fundação Fé e Cooperação

All you can ask” foi o mote da campanha da Fundação Fé e Cooperação, preocupada sobretudo com as questões do ambiente, que se interligam com outras. “Será que o nosso voto nas eleições europeias pode proteger o planeta e as pessoas? Como?”, pergunta a FEC, que a 30 de abril promoveu uma tertúlia, no Centro Universitário Padre António Vieira, em Lisboa, com Francisco Ferreira, Presidente da Associação ZERO, e André Ribeiro e Costa, assessor político no Parlamento Europeu.

A 4 de maio organizou um debate com candidatos de vários partidos ao Parlamento Europeu, que decorreu na Renascença, e foi moderado pela diretora de informação, Graça Franco.


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  • João Lopes
    17 mai, 2019 10:08
    Coerência: Quem é a favor da vida em todas as circunstâncias, não deveria votar em pessoas e partidos que defendem e promovem a eutanásia, o aborto, etc.