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"Arma terapêutica". IPO do Porto usa células geneticamente modificadas

16 mai, 2019 - 10:17 • Lusa com Redação

Uma resposta inovadora na área do cancro do sangue, em que se incluem os linfomas e as leucemias.
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O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto administrou pela primeira vez em Portugal uma terapia no tratamento do cancro do sangue assente na modificação genética de células, que supõe uma taxa de sucesso de 40%.

Em declarações hoje à Lusa, o diretor da Clínica de Onco-Hematologia, José Mário Mariz, explicou que esta terapia se aplica apenas a dois tipos de tumores - linfomas e leucemias - e em doentes cuja doença não está controlada, mesmo depois de submetidos a todas as terapêuticas convencionais.

O médico adiantou que, esgotando todas as possibilidades de tratamentos, esses doentes ficam sem opções e, "infelizmente", com uma esperança média de vida de seis meses.

Com a administração desta nova terapia, José Mário Mariz revelou que 40% desses doentes têm a doença controlada ao fim de dois anos. "Não sendo excecional é bastante melhor do que o que tínhamos até agora. Há doentes em que a terapia vai falhar, infelizmente, mas cerca de 40% deles vão estar curados ou com a doença controlada ao fim de dois anos", frisou.

Apesar de falar num "grande avanço", o clínico sublinhou que "infelizmente" este tratamento não vai resolver todos os cancros de sangue, mas é uma importante "arma terapêutica".

Grande inovação

Quanto ao processo em si, José Mário Mariz explicou que a "grande inovação" da terapia passa por células geneticamente modificadas.

Segundo o médico, o processo começa com a recolha de linfócitos dos doentes que, posteriormente, são enviados para um laboratório nos Estados Unidos da América (EUA) onde vão ser geneticamente modificados para detetar e destruir as células cancerígenas.

O IPO/Porto já começou a fazer tratamentos com células CAR-T [designação dada], tendo infundido na terça-feira na primeira doente em Portugal, uma mulher de 39 anos, os Linfócitos T geneticamente modificados.

"Este processo, desde a colheita ao laboratório e ao regresso ao hospital de origem, demora cerca de quatro semanas. As células chegam criopreservadas e podem manter-se por um ano", disse.

O clínico revelou que a companhia forneceu a Portugal oito tratamentos sem custos diretos, entrando depois estes numa fase comercial.

Dizendo ainda não haver discussão de preços no país, José Mário Mariz contou que nos EUA só o tratamento ronda os 400 mil euros por doente, valor que não engloba os gastos indiretos, mas apenas a transformação das células.

Uma nota do Gabinete do secretário de Estado adjunto da Saúde sublinha que esta terapia individualizada registou taxas de sucesso elevadas, nomeadamente em doentes sem alternativa, por exemplo, em caso de insucesso do transplante.

“Este tratamento surge no âmbito de um programa de acesso precoce (PAP) aprovado pelo Infarmed e vai abranger até oito doentes. Dois hospitais públicos, o IPO do Porto e o IPO de Lisboa estão credenciados para a realização desta terapia pioneira, constituindo este mais um sinal de que o Serviço Nacional de Saúde está a garantir o acesso às tecnologias da saúde mais inovadoras”, explica.


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