|
A+ / A-

Carlos Fiolhais: Leonardo Da Vinci tinha "o olho ligado ao cérebro"

02 mai, 2019 - 10:13 • Marta Grosso com redação

O génio morreu há 500 anos. O professor universitário Carlos Fiolhais recorda Leonardo da Vinci no programa As Três da Manhã: “Os olhos viam o mundo e a mão esquerda fixava-o.”

A+ / A-

Curiosidade e imaginação são duas das principais características de Leonardo Da Vinci. “Ele olhava para qualquer coisa com olhos de ver”, diz Carlos Fiolhais, professor universitário e um dos mais conhecidos divulgadores da ciência em Portugal.

“Tentava uma explicação para tudo o que via - e isso é o princípio da ciência. O olho está ligado ao cérebro, uma espécie de posto avançado do cérebro, e ele foi um grande observador, movido pela sua curiosidade. É a curiosidade a mola que o faz saltar para ver”, descreve Carlos Fiolhais, na Renascença.

Além da curiosidade que levava à observação, Leonardo Da Vinci tinha imaginação: “Ele via, tentava perceber e a seguir imaginava”.

“E a imaginação funciona aqui como a porta de entrada no futuro. Ele, através de analogias, com uma intenção profunda, relacionava várias observações, donde tirava conclusões que nunca ninguém tinha tirado”, acrescenta Fiolhais.

Convidado no programa As Três da Manhã, Carlos Fiolhais destaca como maior legado de Da Vinci “os seus cadernos de apontamentos”.

São “cerca de 7.200 páginas que chegaram até nós, mas poderia existir outro tanto, o que em livros daria cerca de uma centena de volumes. Ao longo da vida, foi fazendo desenhos e escrevendo e comentando”, relata o físico e ensaísta.

Nestes apontamentos, encontram-se “observações da natureza, realizações técnicas, visões para o futuro”. Tudo isto foi deixado a herdeiros, de um modo disperso e, por isso, um pouco perdido.

É também por isso, que a obra de Leonardo Da Vinci chega até nós de uma forma “um pouco fragmentada”.

“Porque o legado que ele nos deixou é esse diário multifacetado, que nos mostra que ele era um homem superior”, insiste.

Nesta quinta-feira, passam 500 anos da morte daquele que é considerado um dos maiores génios de sempre. Ao longo dos 67 anos que viveu, Leonardo Da Vinci dedicou-se a tudo quanto eram áreas do saber e da arte, como pintura, escultura, música, ciência, engenharia, cenografia…

Muitos dos projetos que deixou só mais tarde seriam concretizados, comprovando-se que aquele era um homem muito à frente do seu tempo.

Para comemorar os 500 anos da sua morte, a Faculdade de Belas Artes do Porto expõe, apenas nesta quinta-feira, a única obra do génio existente em Portugal: o desenho “Rapariga lavando os pés a uma criança”.

“Esse desenho mostra já a capacidade que ele tem para registar aquilo que via, mesmo que não estivesse naquele momento a ver”, afirma Carlos Fiolhais.

“E ele exerceu essa capacidade continuamente. A mão esquerda dele era a mão mais ligada ao cérebro – ele era canhoto. Os seus olhos viam o mundo e a sua mão esquerda fixava o mundo. E este desenho que está no Porto é um dos muitos exemplos”, acrescenta.

O professor universitário explica ainda que o desenho só pode estar em exposição um dia, pois, tal “como muitos desenhos dessa época, é perecível”: a luz pode danificar o papel e a tinta.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • me too
    02 mai, 2019 18:30
    Claro que os olhos estão ligados ao cérebro. São, aliás, uma extensão embrionária e funcional deste. Mas... «Quem tem olhos que veja». Há meio século que se dizia em Medicina que a parte mais importante dum estetoscópio é a que fica entre as olivas (as peças que se colocam no canal auditivo externo). A parte que fica entre ... é o cérebro.