|
A+ / A-

Crise de combustíveis

Quase 70% dos postos já ficaram sem gasóleo, gasolina ou ambos

17 abr, 2019 - 16:52 • Rui Barros , ​​Marília Freitas​

Renascença fez uma triagem dos dados que têm estado a ser agregados na plataforma "Já não dá para abastecer".

A+ / A-

Veja também:


Sete em cada 10 postos de combustível terão registado problemas a fornecer combustível aos portugueses desde o início da greve convocada pelo Sindicato dos Motoristas de Transporte de Matérias Perigosas, uma paralisação que está a decorrer desde as 00h de segunda-feira.

É esta a conclusão possível de retirar dos dados disponibilizados em “Já não dá para abastecer”, uma plataforma colaborativa criada pelo VOST Portugal que permite aos cidadãos indicar se tiveram algum impedimento em abastecer num determinado posto.

De acordo com os dados da plataforma, recolhidos pela Renascença durante a manhã desta quarta-feira, e depois de uma posterior limpeza a casos duplicados de forma a assegurar uma fonte de informação mais fidedigna, os utilizadores já tinham registado 2.077 postos de norte a sul do país que não tinham gasolina, gasóleo ou os dois a meio da tarde desta quarta-feira.

Se considerarmos que, segundo os dados da APETRO - Associação Portuguesa de Empresa Petrolíferas, há, em Portugal, 3.068 postos de abastecimento, isto significa que 68% das bombas de gasolina do país, ou seja, cerca de sete em cada dez, registaram já algum tipo de problema em três dias de greve.

O dado contrasta com a informação avançada esta quarta-feira à Renascença pela Associação Nacional de Revendedores de Combustível (ANAREC), que estimou, através do contacto com os seus associados, que esta manhã haveria cerca de 40% dos postos da rede nacional inativos ou em situação de pré-rutura de stock.

Os números da plataforma criada pela VOST terão, no entanto, uma margem de erro grande pelo facto de se tratarem de dados introduzidos pelos cidadãos - o que abre a possibilidade de duas pessoas darem nomes diferentes à mesma bomba. A Renascença procurou eliminar os casos duplicados ao máximo de forma a garantir números o mais fidedignos possível.

Com base nestes dados, até esta manhã 875 postos não tinham gasóleo, 204 não tinham gasolina e 998 não tinham ambos.

Lisboa e Porto serão os distritos mais afetadas pela greve dos motoristas de matérias perigosas, com 568 e 287 postos a registar pelo menos um tipo de falha de combustível, respetivamente. Segue-se o distrito de Setúbal (192), Aveiro (188) e Braga (138).

(A meio da tarde desta quarta-feira, sete postos de combustível da Grande Lisboa foram reabastecidos pelos camiões-cisterna que partiram escoltados de Aveiras de Cima ao final da manhã. São eles: a BP do Restelo, a Galp perto do aeroporto de Lisboa, a Repsol de Alcoitão, a Repsol de Benfica (na segunda circular, ao pé do Fonte Nova), a Prio de Oeiras, a Prio da Damaia e a Prio da A16 perto de Ranholas.)

Com o combustível a escassear em muitas bombas de gasolina, o site “Já não dá para abastecer” tem procurado reunir as informações dos automobilistas que reportam informações sobre a falta de combustível.

Os utilizadores que souberem de postos de combustível onde já não seja possível abastecer podem preencher um formulário e adicionar o posto à lista.

O objetivo da plataforma é ajudar os automobilistas a encontrar um posto de abastecimento que ainda tenha reservas de combustível, para que possam abastecer os seus carros e evitar idas em vão às bombas de gasolina, isto numa altura em que os portugueses se preparam para um fim-de-semana prolongado de Páscoa.

Desta forma, a plataforma permite fazer a pesquisa por localidade, que devolve os postos de abastecimento onde as reservas já se esgotaram.

Ate às 22h00 de terça-feira, o site recebeu mais de 240 mil visitas. Devido à grande afluência, houve momentos em que esteve inacessível.

A plataforma foi criada pelo VOST Portugal, um grupo de “voluntários digitais em situações de emergência”, com a ajuda do criador do site fogos.pt. O grupo alerta, contudo, que a informação na plataforma pode não ser 100% fiável.

Nas últimas horas, e devido às ações praticadas por alguns utilizadores - nomeadamente prestar informações erradas, por exemplo - o grupo que gere a plataforma decidiu reduzir as contribuições, limitando-as a quem indicar o seu e-mail ao preencher o formulário. Isto reduziu o número de contribuições para 1.240 até à data de publicação deste artigo.

******

Nota Metodológica:

A Renascença procurou uniformizar todos os campos com o objetivo de identificar casos duplicados. Para os casos em que era reportado pelo menos uma vez que havia problemas em abastecer nos dois tipos de combustível, considerou-se que haveria falta de combustível em ambos os casos. Nos casos em que um utilizador indicava falta de gasóleo e outro utilizador indicava falta de gasolina para a mesma bomba, admitiu-se que havia dificuldades em abastecer em ambos os combustíveis.

Os dados limpos pela equipa da Renascença podem ser descarregados aqui.

A Renascença eliminou ainda os casos em que reconhecia que duas entradas se referiam à mesma bomba de gasolina. Há, no entanto, um grande grau de incerteza nesse processo. Caso detecte algum erro nos dados, ou casos de uma bomba de gasolina que surge na base de dados com nomes diferentes, contacte-nos através de rui.barros@rr.pt

Está a ser afetado/a pela crise dos combustíveis? Partilhe connosco o que viu e viveu deixando o seu feedback nos comentários ou enviando as suas imagens para online@rr.pt

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.