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Katie Bouman

Uma das "autoras" da primeira imagem de um buraco negro está sob ataque na internet

15 abr, 2019 - 13:22 • Redação

Andrew Chael, outro membro da equipa de 200 cientistas por trás do feito histórico, já saiu em defesa da colega e amiga.
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Katie Bouman ficou conhecida na última semana por ser uma das principais responsáveis pelo algoritmo que permitiu revelar a primeira imagem de um buraco negro.

O nome da jovem cientista de 29 anos surgiu citado em vários órgãos de comunicação social um pouco por todo o mundo e gerou algumas interpretações erradas de que apenas um algoritmo tinha permitido gerar a imagem e de que Katie teria sido a única cientista a programar esse algoritmo.

Como consequência, rapidamente se tornaram também virais memes e críticas, algumas das quais sexistas, nas redes sociais.

Apesar de Katie ter salientado que a imagem é fruto do trabalho de uma equipa de 200 cientistas - incluindo 40 mulheres -, os críticos acham que a cientista tem estado a receber demasiado crédito pelo feito inédito.

Tanto no Reddit como no Twitter, vários utilizadores defendem que o papel desempenhado por Katie Bouman é comparável ao de Andrew Chael, outro membro do projeto "Event Horizon Telescope".

Os cibernautas compararam as linhas de código escritas por Katie e por Andrew e concluíram que este último era o responsável por cerca de 850 mil das 900 mil linhas de código.

Para os críticos, Katie está a beneficiar de mais atenção nos media por ser do sexo feminino. No Youtube surgiu inclusivamente um vídeo intitulado “A mulher faz 6% do trabalho, mas obtém 100% do crédito”.

Face aos inúmeros ataques, Andrew Chael já saiu em defesa de Bouman. “Aparentemente algumas pessoas (espero que poucas) estão a utilizar o facto de eu ser o programador principal numa plataforma de partilha de código (GitHub) para lançar ataques horríveis e sexistas à minha colega e amiga Katie Bouman. Parem”, escreveu no Twitter.

Andrew admite que escreveu “boa parte do código”, mas realça que “Katie fez uma contribuição enorme para o software” e que o algoritmo “nunca teria funcionado sem as contribuições e o trabalho de muitos”.

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  • Coisas da época
    15 abr, 2019 TEMPO 15:12
    Não podemos saber ao certo se é assim, mas se fosse, não era de admirar: com a ofensiva das #MeToo, #Thumbs up e outras organizações feministas radicais, a "Mulher" é a "nova moda", a quem a Humanidade "tudo deve", e qualquer palavra em contrário, ou é assédio, ou é machismo, chauvinismo, sexismo e outras coisas a acabar em "ismo".