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Homenagem a Magalhães Crespo nos 82 anos da Renascença

10 abr, 2019 - 15:30 • Ângela Roque

Uma das salas de reuniões da Renascença tem a partir desta quarta-feira o nome do homem que guiou os destinos do grupo ao longo de 31 anos, incluindo no difícil período da revolução de 1974. “Lutámos para que a Emissora Católica fosse importante para o futuro”, disse Magalhães Crespo durante a homenagem.
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“Não estava nada à espera disto”, afirmou Magalhães Crespo, presidente emérito da Renascença, quando viu o seu nome à entrada de uma das salas do novo edifício para onde o Grupo Renascença Multimédia se mudou, em Maio de 2016.

Em dia de festa na Renascença - completa esta quarta-feira, 10 de abril, 82 anos -, o Conselho de Gerência quis homenagear um dos seus antigos presidentes, hoje com 89 anos, cujo papel foi determinante em muitas fases, em particular no período em que as instalações da Emissora Católica no Chiado estiveram ocupadas pelos militares, entre julho de 1974 e dezembro de 1975.

“No contexto da celebração dos nossos 82 anos, não quisemos perder a feliz oportunidade de perpetuar o nome do senhor engenheiro Magalhães Crespo na nova Casa da Rádio, atribuindo o seu nome a uma das nossas salas de reuniões, tal como já havíamos feito com o nome do muito saudoso padre Dâmaso Lambers. A nossa homenagem e gratidão ao senhor engenheiro, pelo trabalho, empenho e dedicação à RR entre 1975 e 2005”, afirmou D. Américo Aguiar, o recém ordenado bispo auxiliar de Lisboa, que continua a presidir ao Grupo Renascença Multimédia.

Magalhães Crespo lembrou que a história da rádio, incluindo a dos anos quentes da revolução, pode ser recordada no livro "Os meus 31 anos na Rádio Renascença", que escreveu com a ajuda do jornalista Adriano Pereira Caldas, antigo chefe de redação da Renascença, seu contemporâneo na luta contra a ocupação militar da Emissora Católica. “Aquilo era o caos”, lembrou, considerando que o livro pode ajudar a compreender o que então viveram.

“Acho que vale a pena ver o que era Portugal naquela altura e o que a Renascença representou para se recuperarem os valores tradicionais da população portuguesa.”

“Não lutámos para nos vingar de quem quer que seja. Nós lutámos para que a Emissora Católica fosse um elo vivo, qualquer coisa de importante para o futuro. Não é o passado que importa, isso já conseguimos fechá-lo. Agora importa o futuro, e é isso que vos quero dizer”, conclui Magalhães Crespo, numa reação emocionada.

Em Junho de 2018, Magalhães Crespo recebeu o prémio Fé e Liberdade, atribuído pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica pelo tributo dado durante a crise da Renascença em pleno PREC nos anos 75/76.

Já nessa ocasião, a direção da Renascença sublinhou a justiça da homenagem em que a atribuição do prémio se traduzia distinguindo a pessoa que prestou ao país “um inestimável serviço à causa da liberdade religiosa e da liberdade de expressão".

"Homem do seu tempo, com rara visão de futuro, fez da Renascença (integrado uma equipa de outros grandes homens como Silvério Martins, Oliveira Pires e Luís Torgal Ferreira ) um colosso de influência política, religiosa e social. Sem se esquecer de deixar a sua marca de sucesso no futuro, com a criação da RFM e da Mega, promovendo a entrada das televisões privadas em Portugal ( com o lançamento da TVI) e lançando a génese de uma digitalização muito antes do tempo Digital.”

“Só recuando na história se tem a verdadeira noção da importância desse serviço prestado à liberdade e à consolidação da democracia plural e pluripartidária respeitadora da liberdade de expressão e opinião, e do qual, de uma forma ou de outra, todos os cristãos portugueses lhe devem tributo.”

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