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G7 apela ao fim de “movimentos militares” na Líbia

05 abr, 2019 - 23:00 • Lusa

O próprio secretário-geral da ONU deixou a Líbia com "o coração pesado e uma profunda preocupação".
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Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos sete países mais industrializados do mundo (G7) apelaram à cessação "imediata" de "todos os movimentos militares em direção a Tripoli", capital da Líbia.

“Exortamos todas as partes a cessar imediatamente todas as atividades e todos os movimentos militares em direção a Trípoli, que representam um travão aos processos políticos levados a cabo pelas Nações Unidas, colocam civis em perigo e prolongam o sofrimento do povo líbio", defendem os sete ministros, reunidos em Dinard (nordeste da França), numa declaração conjunta divulgada em comunicado.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, que terminou esta sexta-feira uma visita à Líbia, disse à partida que deixou o país com "o coração pesado e uma profunda preocupação".

"Deixo a Líbia com uma profunda preocupação e o coração pesado", afirmou Guterres, em declarações aos jornalistas no aeroporto de Benghazi, pouco depois de um encontro com o marechal Khalifa Haftar, o homem forte da fação que controla o leste da Líbia e que disputa o poder do país.

Na Líbia, país imerso num caos político e securitário há vários anos, duas autoridades disputam o poder: um governo de união nacional líbio, estabelecido em 2015 em Tripoli, que é reconhecido pela comunidade internacional (incluindo pelas Nações Unidas) e que tem o apoio de milícias, e uma autoridade paralela que exerce o poder no leste do país, com o apoio do marechal Haftar, um militar dissidente do regime de Muammar Kadhafi, que caiu em 2011.

Violentos confrontos opunham hoje uma coligação de grupos armados leais ao Governo de União Nacional às forças do Exército Nacional Líbio, de Khalifa Haftar, a cerca de 50 quilómetros a sul da capital líbia, indicaram as duas partes.

Segundo uma fonte de segurança do Governo de União Nacional (GNA, na sigla em inglês), os combates decorrem nas regiões de Soug al-Khamis, al-Saeh e Soug al-Sabt, a sul de Tripoli, uma zona essencialmente de explorações agrícolas.

O gabinete de comunicação do Exército Nacional Líbio (ANL) confirmou a existência de combates perto de Trípoli.

"As forças armadas (...) e os soldados de todas as regiões da Líbia estão neste momento envolvidos em violentos confrontos na periferia de Trípoli contra as milícias armadas", indicou o ANL na sua página da rede social Facebook.

Trata-se dos primeiros combates significativos entre as duas partes desde a instalação do Governo de União Nacional na capital líbia, no final de março de 2016.

Até agora, o marechal Haftar e o líder do GNA, Fayez al-Sarraj, evitaram um confronto direto, apesar da tensão política e militar entre os dois campos rivais.


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