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Entrevista Público/Renascença

Jornada Mundial da Juventude. Estado “deve assumir” segurança, transportes e saúde

04 abr, 2019 - 00:01 • Eunice Lourenço (Renascença) e Helena Pereira (Público)

Bispo auxiliar de Lisboa explica que “os jovens do mundo inteiro” que virão à Jornada Mundial da Juventude “estarão espalhados por todo o país, inclusive pelas ilhas” nos dias que antecedem o evento em Lisboa.

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D. Américo Aguiar, que também é presidente do conselho de gerência da Renascença, considera que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que se realizará em Lisboa em 2022, “tem um impacto e um retorno financeiro que não é desprezível” e congratula-se pelo facto de os líderes políticos reconhecerem essa importância. Igreja conta com o Governo e instituições do Estado para custear o que tem a ver com necessidades de segurança, transporte e saúde dos visitantes. E lembra que tem sido assim nos vários países onde já decorreu a JMJ.

A sua nomeação como bispo auxiliar de Lisboa surge muito associada à Jornadas Mundial da Juventude que vai decorrer em Lisboa em 2022. Vai ser o bispo da jornada?
O contexto é muito JMJ. A Nossa Senhora, que esteve lá no Panamá, também fez o seu trabalho. Durante várias semanas, em dois meses diferentes no Panamá, o lema da JMJ era “Eis a serva do Senhor, faça-se a mim segundo a Tua palavra”. De facto, materializou-se de uma maneira que nunca me passou pela ideia nem pelo coração. O Santo Padre disse-mo quando há dias o encontrei e o sr. D. Manuel Clemente tem sublinhado essa circunstância que não é exclusiva. Mas tenho profunda consciência que fará parte do meu ADN nesta circunstância de bispo auxiliar de Lisboa.

Já tem equipa para começar a preparar a Jornada?
A equipa são todos os portugueses dos 8 aos 80. O sr. Patriarca, dentro de dias, vai nomear formalmente o comité organizador local que tem três pessoas que depois se desdobra em sete e depois em 21. A JMJ é um desafio para Portugal inteiro, ninguém está dispensado, nem pela idade, nem pelo credo nem por circunstância absolutamente nenhuma. Há-de ser um Portugal de braços abertos que há-de acolher a juventude do mundo inteiro.

Espera que os não-católicos se associem?
Sim, tivemos uma experiência muito bonita no Panamá com os nossos irmãos muçulmanos, judeus, de muitas confissões evangélicas que abriram as suas portas, acolheram os jovens, cederam-lhes alimentação. Tivemos a experiência da fraternidade ali materializada com jovens de países em conflito, americanos, mexicanos, palestinianos e judeus. É uma mensagem muito importante para o mundo inteiro que agora se vai escrever em português.

A JMJ vai ser muito importante para a Igreja. Espera que também seja importante para o país?
Desejo que sim nas várias fases. Estes meses de preparação são muito importantes para criar uma dinâmica com toda a gente. Desde o anúncio que, por SMS, por mail, por sinais de fumo, temos recebido muitíssima disponibilidade de empresários, de pessoas anónimas, de jovens, de estrangeiros. Todos querem estar na primeira linha da frente a ajudar.

E também sentiram muito essa disponibilidade por parte do Governo, da CML. Como vai ser a colaboração, durante a fase de preparação, entre a Igreja e as autoridades civis?
Não podemos desperdiçar este tempo generoso de três anos e meio que temos para a preparação. Vamos criar grupos de trabalho. Com a CML vamos criar um grupo de trabalho mais formal e também com o município de Loures atendendo à localização da JMJ. E vamos criar grupos de trabalho com os diversos órgãos do Estado e do Governo porque temos consciência que isto envolve o SEF, a segurança, a saúde. Há muitas áreas naquilo que são as obrigações do Estado que são chamadas. Temos tido da parte da Presidência da República, do primeiro-ministro, dos governantes, toda a gente está em disponibilidade absoluta. O CEMGFA também já disponibilizou tudo aquilo que é a sua capacidade para todos organizarmos aquela que será a melhor JMJ de sempre.

Quantas pessoas esperam?
Eu espero um de cada vez. Há um perigo gostoso e doce que é ser muita gente. Quando a JMJ acontece num território continental, quando há possibilidade de fazer o percurso por terra, há o perigo simpático e positivo de vir muitíssima gente. Se os nossos irmãos espanhóis acordarem nessa semana com o grande desejo de virem todos, nem a Padeirinha de Aljubarrota nos vai ajudar!

Vai haver também partilha de custos com as autoridades civis?
Tem acontecido, na organização da JMJ nos vários países, os Estados que acolhem assumirem aquilo que são as responsabilidades de Estado: a segurança, a saúde, os transportes. Não é possível uma cidade, de um momento para o outro, ter um milhão de pessoas mais a circular no metro, na Carris, na Soflusa. No Panamá, a solução encontrada foi haver um bilhete especial que as entidades ofereceram aos jovens nesses dias. E tenta-se fazer programações que não impliquem aos jovens circular em horas de ponta.

Mas qual é a estimativa de custos?
Sangue, suor e lágrimas.

Não quer falar de números, de dinheiro.
As jornadas não são para dar lucro. E, de preferência, não são para dar prejuízo. Os jovens são chamados, não a pagar a sua participação, quando compram o kit , mas a custear o que é essencial para cada um. Estamos a falar do seguro, alimentação, alojamento que a organização lhes proporciona. Mas nenhum jovem deve ficar impedido de participar por não ter dinheiro.

Já há quem critique que um Estado laico não se deve associar deste modo à JMJ. Como é que responde a estas críticas que vêm também muito do universo político?
Um Estado laico deve proporcionar a todos aquilo que é a vivência da sua fé e as actividades que acontecem. A JMJ não começou ontem. Tem décadas. A JMJ tem um retorno no turismo, na imagem do país a nível mundial que se equipara, no mínimo, aos Jogos Olímpicos. Isso está já trabalhado e acautelado, não estou a falar de cor. As autoridades têm plena consciência disso. Temos que ter consciência que o facto de termos em Portugal durante aquele tempo um milhão, dois milhões de jovens do mundo inteiro significa, para o país, muito ingresso. Há ingresso também directo. Os jovens vão andar livremente pela cidade, nos restaurantes, nos cafés, nas lojas. Durante aquele período de tempo haverá um pico de consumo. Além disso, a JMJ começa antes, começa muitos dias antes em que os jovens do mundo inteiro estarão espalhados por todo o país, inclusive pelas ilhas. Isto tem um impacto e um retorno financeiro que não é desprezível.

O Estado laico é aquele Estado que proporciona a todos, respeita todos e trata todos da maneira correcta, proporcionando os eventos que a entidade lhe coloca como possibilidade. A mim, não me repugna que irmãos ou concidadãos meus afectos a um evento diferente de âmbito religioso peçam ao Estado a colaboração e que o Estado os trate exactamente da mesma maneira. É assim que deve ser.

Como se resolve o afastamento de jovens da Igreja? Ainda esta semana, saiu uma exortação do Papa Francisco dedicada aos jovens.
Estou plenamente convencido que os nossos jovens estão numa fase em que gostam de coisas que eles possam fazer, coisas que possam ser materializadas, que impliquem acção. É a Igreja em saída. Não gostam da Igreja sentada. E a JMJ também é isso.

Comentários
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  • me too
    04 abr, 2019 14:51
    D. Américo Aguiar elucida. Venham, depois, dizer que tinha que ser assim. Para Deus nada é impossível e as Jornadas terão o divino apoio.