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Valpaços reivindica barragem para enfrentar anos de seca

02 abr, 2019 - 15:20 • Olímpia Mairos

O empreendimento está projetado para a zona da Padrela, onde estão a ser feitos grandes investimentos na área da agricultura.
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As alterações climáticas podem levar ao aumento das regiões secas e obrigar os agricultores a adotar outras práticas agrícolas, para continuarem a produzir e tornarem a atividade rentável.

Querendo antecipar soluções, para fazer face à falta de chuva, a Câmara de Valpaços quer construir uma barragem para rega, consumo humano e produção de energia na zona da Padrela. O empreendimento, orçado em 18 milhões de euros, visa preparar o concelho para períodos de seca.

Segundo o presidente da autarquia, Valpaços destaca-se no distrito de Vila Real como o concelho com o maior superavit na balança comercial. “Exportamos mais 16 vezes do que aquilo que importamos”, detalha o autarca à Renascença.

É por isso que a autarquia quer prosseguir no desenvolvimento sustentável da marca ´Valpaços, a essência natural´ que, segundo Amílcar Almeida, "tem concretizado o desenvolvimento da atividade económica do concelho”.

O setor primário rende a Valpaços “cerca de 150 a 180 milhões de euros por ano”, sendo a castanha o produto mais rentável, correspondendo a um volume de negócios que ronda os “50 milhões de euros por ano. E estão a verificar-se fortes investimentos no setor agrícola. É, também, neste concelho que estão a ser aplicados grande parte dos fundos comunitários destinados à região.

“Nunca se viu tanto investimento como agora, na agricultura. É na vinha, no olival, nos soutos, no amendoal ou no mirtilo”, constata o presidente da autarquia, concluindo que “hoje, praticamente não se vê uma terra ao abandono”.

Argumentos que o autarca espera sejam suficientes para convencer o Governo a avançar com a construção de uma barragem entre as localidades de Tazém e Cabanas, na zona Norte do concelho, onde estão a ser feitos grandes investimentos na área da agricultura.

“A barragem servirá para a rega na agricultura, para o consumo humano, lazer, produção de energia e para preparar o território para períodos de falta de água, cada vez mais frequentes, devido às alterações climáticas.”

O autarca de Valpaços explica que, “pela morfologia do território, entendemos que conseguimos fazer com que a água possa chegar por gravidade a cinco freguesias importantes na produção de castanha, azeitona, amêndoa, maçã e de outros novos produtos, como goji e o mirtilo”.

O empreendimento, numa primeira fase, terá uma capacidade de rega de 1.125 hectares, prevendo-se, depois, a criação de canais para conduzir e levar a água a outras freguesias.

A Câmara de Valpaços mandou fazer e pagou o estudo da barragem, mas o autarca considera que o projeto deve ser conjunto entre o município e o Estado português.

“Atendendo à importância que tem este concelho, seria uma injustiça total que não merecêssemos essa aprovação”, considera o autarca, mostrando-se convicto que o “aviso seja aberto nas próximas semanas”.

“O país não pode olhar só para o Alqueva e para o Alentejo, é preciso potenciar os territórios do Interior Norte”, defende ainda o autarca valpacense.

A barragem que Valpaços tanto reivindica poderá também servir o município vizinho de Vila Pouca de Aguiar e é vista como um fator de desenvolvimento para a agricultura.

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