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Viseu

Cursos Alpha. Catequese para adultos pela mão de um jovem padre de 80 anos

02 abr, 2019 - 13:49 • Liliana Carona

O padre Morujão já organizou perto de 40 cursos e não se pode queixar de falta de adesão: as sessões semanais contam sempre com cerca de 50 participantes.

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Boina na cabeça, cachimbo na mão, sempre a caminhar de um lado para o outro, o padre José de Fátima Oliveira Morujão, de 80 anos, tenta estar presente nas múltiplas tarefas a realizar na paróquia de S. José, que acolhe serviços que vão desde o centro de dia a creche e jardim de infância.

Do cachimbo não abdica. “Não é um defeito, é uma virtude, com tanto trabalho tenho que continuar a fumar, senão desespero”, assume bem-disposto à Renascença.

O sacerdote é responsável pela paróquia de S. José e pelos cursos Alpha, que ali decorrem desde 2005; é a única paróquia da diocese de Viseu onde estes cursos são promovidos. “É um curso, um percurso, não é nenhuma instituição, é um instrumento de evangelização, como que uma catequese de adultos, desenvolve-se durante três meses, às terças-feiras à noite”, começa por explicar.

Não se pode queixar de falta de adesão: a catequese para adultos tem sempre sala cheia. “Sempre para cima de 40 pessoas, casais, outros não são casais, são os próprios que, animados pela experiência, convidam outros, mas todos aproveitam, e há verdadeiras conversões, andavam afastados, foram-se desleixando e é um regressar à primeira forma”, salienta o padre Morujão, natural de Bordonhos, em S. Pedro do Sul, nascido numa família de oito irmãos, em que três abraçaram o sacerdócio. “Uma vocação que não está no sangue, mas em Deus”, diz a sorrir.

Sacerdote há mais de 50 anos, o padre Morujão, diz que não há segredos para conquistar as pessoas, mas justifica os bons resultados dos cursos Alpha com “o espaço de diálogo, em equipa, que cria relações de amizade, de confiança e confidência".

De outra forma, algumas pessoas não teriam oportunidade de abordar certas questões, acrescenta. “É uma grande reviravolta na vida das pessoas, é isso que prende as pessoas, se às vezes se pintam as coisas muito negras, eu demonstro que há coisas muito belas, faço o que posso.”

Aos 80 anos de idade, o Padre Morujão, sempre de cachimbo na mão, acorda cedo, vai nadar, e de seguida abraça dias longos. “Agora vou expor o Santíssimo e de seguida vou para o confessionário”, diz na despedida apressada.

Com pouco tempo para entrevistas, Carlos Salgado, atrás de um balcão, serve um café a mais um cliente. Ao final do dia de trabalho, vai participar no curso Alpha, dando uma mãozinha na parte técnica.

“Projeto os slides, coloco os cânticos”, explica o jovem de 30 anos, que é escuteiro desde os 16 e que ainda hoje continua ligado ao Agrupamento de Escuteiros 577 de Viseu. “Com o passar da idade, as pessoas vão-se afastando da Igreja, as prioridades passam a ser outras e isto chama as pessoas, a forma de falar é diferente. Começamos com um jantar e depois há a partilha de um tema, um orador que fala e depois cada equipa vai para uma sala e fala do tema que foi dado.”

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