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Recordar a maestrina Rita Pereira. "O que eu mais quero é que todos sejam felizes"

24 mar, 2019 - 12:33 • Teresa Paula Costa

Só o cancro a derrotou. Um ano após a sua morte, a comunidade que inspirou presta-lhe homenagem, “sempre e perto”.

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A força inspiradora da maestrina Rita Pereira, que morreu com apenas 35 anos, inspirou um livro que vai ser lançado este domingo, em Barreira, Leiria.

“Deus sabe o que está a fazer”. As palavras saíram da boca de Rita Pereira, poucos dias antes de morrer, em fevereiro do ano passado. A jovem maestrina natural da paróquia da Barreira, diocese de Leiria-Fátima, tinha completado o seu ciclo de vida ao serviço dos outros.

“O que eu mais quero é que todos sejam felizes”, dizia frequentemente. O padre Augusto Gonçalves, que a conhecia desde que tinha nascido, recorda-a como “uma jovem muito prendada em termos de qualidades humanas e profissionais”. “A Rita era de uma proximidade muito forte e ouvia e propunha e desenvolvia as qualidades dos outros”, recorda o sacerdote.

Rita Pereira manifestou desde cedo os seus dotes musicais. Ainda criança era levada pelo pai para os ensaios do coro da Barreira, onde exibia um à-vontade e um gosto pelo canto que, mais tarde, veio a concretizar-se. Depois de ter tirado o curso de música, dedicou-se à direção coral. Na paróquia onde nasceu aliou-se ao Adesbachorus – o coro da Associação de desenvolvimento e bem-estar social da freguesia – e fundou o coro Infanto-juvenil, com crianças e jovens, e ainda o AdesbAcapella, um grupo coral de adolescentes, além de dirigir o coro da igreja. Por toda a região Centro dava aulas de música e, durante uns anos, foi ainda maestrina do coro do Santuário de Fátima.

“A Rita não desanimava facilmente e encarava as dificuldades de uma forma estupenda”, frisa o pároco da Barreira, que explica que “ela encontrava pedras e buracos no caminho da sua vida e da vida dos outros, mas ela procurava entusiasmar toda a gente”.

Uma força que se tornou determinante na forma como encarou a doença. Depois de ter sido operada de urgência a um cancro nos ovários, e de ter sido submetida a quimioterapia, a doença viria, mais tarde, a manifestar-se noutra parte do seu corpo, o que se tornaria fatal, vindo Rita a falecer, pouco tempo depois, aos 35 anos de idade.

Uma vida curta, mas intensa e que marcou a vida de muitos. Por isso, neste domingo, vai ser alvo de uma homenagem na paróquia que a viu nascer.

A partir das 15h00 deste domingo, no Salão Paroquial da Barreira, será apresentado o livro: “A Rita sempre e perto”, com 15 testemunhos de pessoas que conviveram ou contactaram com a jovem. A cerimónia, para a qual foram convidadas várias entidades civis e oficiais, contará com a atuação dos três coros da paróquia. As receitas obtidas com a venda do livro reverterão para instituições da região. A homenagem é organizada pela paróquia da Barreira, União de freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes e pela Adesba.

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  • José Barbosa Granja
    24 mar, 2019 14:51
    Conheci-a, pessoalmente, enquanto maestrina do Coro do Santuário de Fátima. Humilde, simples, determinada, atenta e responsável. Alegro-me com a homenagem ; a melhor forma de homenagear alguém é perpetuar a sua memória em atitudes que humanizam e dignificam o próximo. P. José Granja

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