A+ / A-

Declarada a vitória final sobre o Estado Islâmico

23 mar, 2019 - 09:02 • Filipe d’Avillez

​Donald Trump já tinha anunciado na sexta-feira a vitória sobre o grupo terrorista, mas é a primeira vez que as Forças Democráticas da Síria, que travam o combate no terreno, o fazem.
A+ / A-
Declarada a vitória final sobre o Estado Islâmico
Declarada a vitória final sobre o Estado Islâmico

Veja também:


As Forças Democráticas da Síria declararam este sábado a derrota definitiva do autoproclamado Estado Islâmico.

A cidade de "Baghouz foi libertada. A vitória militar sobre o Daesh foi alcançada”, anunciam as Forças Democráticas da Síria.

O anúncio segue-se ao de Donald Trump, feito na sexta-feira. Mas enquanto Trump já tinha declarado o final do Estado Islâmico por mais que uma vez, esta é a primeira vez que essa realidade é reconhecida pelas forças que travam o combate no terreno.

As Forças Democráticas da Síria são uma coligação de milícias curdas, árabes e cristãs, independentes do regime, que lutam no nordeste da Síria.

Num comunicado enviado à Renascença pelo Conselho Militar Siríaco, uma milícia cristã que compõe as Forças Democráticas da Síria, lê-se que “com orgulho e a honra da vitória, o Conselho Militar Siríaco declara a derrota total do Estado Islâmico. As Forças Democráticas da Síria, de que o o Conselho Militar Siríaco é uma componente, completou com sucesso a operação ‘tempestade Jazira’, que incluiu o cerco e eliminação da organização terrorista na vila de Baghouz, o seu último reduto”.

Desta forma, explica o grupo, “termina o reino de terrorismo, manchado com o sangue dos inocentes. O Estado Islâmico, juntamente com as suas histórias de terror e os seus crimes contra a humanidade, foi eliminado”.

O Conselho Militar Siríaco agradece ainda o esforço da coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos, que prestou apoio logístico e aéreo às tropas no terreno, e compromete-se a manter a colaboração no sentido de continuar a combater o terrorismo e eventuais células do Estado Islâmico que se mantenham dormentes, esperando oportunidades de atacar.

Por fim, o comunicado enaltece a memória dos mártires “sacrificados sobre o altar da liberdade”, cujo exemplo conduziu a esta vitória.

Metin Rhawi, responsável pelos assuntos exteriores da União Siríaca Europeia, o ramo europeu da força militar cristã que compõe, juntamente com curdos e árabes, as Forças Democráticas da Síria, congratula-se pela derrota dos jihadistas que nos últimos anos espalharam o terror na região e um pouco por todo o mundo.

“A diferença agora é que desta vez o Estado Islâmico não foi derrotado numa cidade, ou numa bolsa ou numa aldeia, agora pode-se dizer que foi todo o califado do Estado Islâmico, toda a área que dominava sob a influência da sua suposta liderança política e militar, com regras e tudo. Actualmente já não existe qualquer território a que se possa chamar Estado Islâmico.”

Os radicais islâmicos ficaram sem um território, mas a ameaça persiste na Síria, alerta Metin Rhawi.

“Agora vamos ver uma mudança na guerra contra o terror, contra o Estado Islâmico em particular, mais composto por células e pequenos grupos, com atos de terrorismo mais parecidos com o que se passa na Europa. Guerra de guerrilha, numa tentativa de infiltrar a sociedade e tentar espalhar a sua ideologia e estabelecer o Estado Islâmico”, sublinha o responsável pelos assuntos exteriores da União Siríaca Europeia.

O Estado Islâmico chegou a ocupar um terço da Síria e do Iraque, estabelecendo um califado que era de facto independente. Ao longo de seis anos o grupo espalhou o terror pelo território que ocupava, perseguindo todos os que não concordavam com a sua visão extremista do Islão, com particular destaque para as minorias religiosas, como os cristãos e os yezidis.

[notícia atualizada às 14h26]


legislativas 2019 promosite
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.