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Em véspera da manifestação

De greves de um dia a greves aos exames. Professores decidem novas formas de luta

22 mar, 2019 - 15:25 • Manuela Pires

Não fazer avaliações, fazer greve aos exames do secundário ou do 9º ano ou ainda paralisações por setores e regiões são algumas das hipóteses em cima da mesa.

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A Plataforma de Sindicatos de Professores vai decidir na sexta-feira, véspera de manifestação, qual a resposta a dar ao decreto-lei que mitiga os efeitos do congelamento das carreiras dos professores entre 2011 e 2017 mas que conta apenas dois anos, nove meses e 18 dias para efeitos de contagem do tempo de serviço.

À semelhança do que aconteceu no ano passado, os sindicatos decidiram também pedir a opinião dos professores. Na consulta que terminou na quarta-feira, os sindicatos perguntaram aos docentes se estão de acordo com a estratégia seguida até aqui - ou seja, não abrir mão de qualquer período de tempo prestado pelos docentes, dos 9 anos, 4 meses e 2 dias.

No questionário a que a Renascença teve acesso, a plataforma de sindicatos propõe diversas formas de luta que vão desde greves nacionais de um dia durante diversas semanas a greves por regiões em todas as semanas do mês de maio ou até greves por setores de ensino.

A consulta elenca ainda outras hipóteses: greves por um período prolongado nos anos de final de ciclo (4.º, 6.º, 9.º e 12.º), greve às avaliações com início a 6 ou 17 de junho e ainda greve nos dias dos exames do secundário e das provas finais de 9.º ano.

Mas a lista de possíveis ações de luta não se fica pelo terceiro período. Os sindicatos querem também saber, junto dos professores e se na abertura do ano letivo 2019/2020 este problema ainda se arrastar, se devem retomar a luta no período de reuniões de preparação do novo ano.

Os professores têm uma manifestação marcada para sábado, dia 23. Exigem recuperar todo o tempo de serviço - os nove anos, quatro meses e dois dias. Dizem que o decreto-lei rouba mais de seis anos e meio do tempo que ficou congelado, põe em causa a profissão, a carreira e a aposentação.

A polémica contagem do tempo de serviço que esteve congelado não vai ficar por aqui. Por iniciativa do PCP, Bloco de Esquerda e PSD, o diploma do Governo vai ser discutido na Assembleia da República no dia 16 de abril.

PCP e Bloco de Esquerda propõem a contabilização integral do tempo de serviço congelado (de nove anos, 4 meses e 2 dias) por ser preciso garantir uma harmonia em todo o território nacional, depois de as regiões autónomas dos Açores e da Madeira terem decidido por essa reposição total.

O decreto-lei que define o modelo de recuperação do tempo de serviço dos professores, que abrange dois anos, 9 meses e 18 dias do tempo congelado entre 2011 e 2017, foi aprovado em Conselho de Ministros no dia 7 de março e promulgado por Marcelo Rebelo de Sousa na segunda-feira seguinte.

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  • Cidadao
    22 mar, 2019 Lisboa 09:39
    Não é mais fácil e se calhar mais eficaz ameaçar votar maciçamente CONTRA o PS nas próximas Legislativas, em vez de marchinhas, greves de 1 dia, ou pretensas greves aos exames, onde com os serviços mínimos que costumam ser máximos - no ano passado no colégio arbitral que definiu os "minimos", o representante da plataforma sindical até votou contra os sindicatos, só para entalar o sindicato S.T.O.P - , os exames acabam sempre por se fazer ? 140000 votos dos professores, mais os das suas famílias, só aí estão uns 200.000 votos. E duzentos mil votos fazem muita diferença . É aqui que se ganham ou perdem Maiorias Absolutas ...
  • Petervlg
    22 mar, 2019 Trofa 09:12
    Só um governante estupido é que não dá aos trabalhadores, aquilo que lhes foi retirado por irresponsabilidade da governação PS de Sócrates Sejam eles professores, médicos enfermeiros, policias, etc. Se as pessoas trabalharam tem direito ao seu tempo de serviço, isso nem era necessário existir negociações. se todos fossem familiares do líder da bancada do PS, de certeza que estava resolvido e todos a ganhar bom dinheiro