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Portugal e Espanha em paz sobre viagem de Magalhães. "Rivalidades só no futebol"

15 mar, 2019 - 20:22 • Paula Caeiro Varela

Ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países estiveram reunidos em Lisboa. “Não é tempo de reinventar rivalidades”, defendem Augusto Santos Silva e Josep Borrell.
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Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Espanha encontraram-se esta sexta-feira, em Lisboa, e meteram “água na fervura” da polémica sobre os louros da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães.

O chefe da diplomacia portuguesa garante que respeita os pareceres históricos, mas não é disse que aqui se trata. Augusto Santos Silva quer calar a polémica em torno do parecer da Real Academia de História de Espanha, que reclama como inteiramente espanhola a primeira viagem de circum-navegação levada a cabo pelo português Fernão de Magalhães sob a égide de Espanha.

“Essa investigação pertence aos historiadores fazê-la, não aos políticos. Eu respeito todos os pareceres técnicos dos meus colegas historiadores portugueses, espanhóis ou de outras nacionalidades, porque o conhecimento é universal”, afirma Santos Silva.

“Mas nós não estamos a tratar disso. Nós estamos a tratar da comemoração do quinto centenário da primeira grande experiência de globalização que a Humanidade conheceu, iniciada por Fernão de Magalhães, um português, ao serviço do rei D. Carlos I, um espanhol, expedição organizada por Espanha e concluída, depois da morte de Fernão de Magalhães e depois de se terem sucedido durante um período de tempo outros comandantes, outro grande comandante, o espanhol Sebastián Elcano”, sublinhou.

É assim que vai ficar na candidatura conjunta de Portugal e Espanha à Unesco. Os dois chefes da diplomacia de Lisboa e Madrid garantem que não há nenhuma vontade de reviver as divergências do passado.

“Este é um momento para tudo menos para reinventar rivalidades, porque estamos tão longe de ter alguma razão para termos uma rivalidade uns com os outros”, afirmou o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell.

Santos Silva interrompeu o seu homólogo espanhol para dizer: “exceto no futebol”, provocando risos na sala e por parte de Borrell.


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  • José Joaquim Cruz Pinto
    16 mar, 2019 Ílhavo 13:19
    Não me admiraria se, perante a mesquinhez e ignorância da "academia" castelhana e a fraqueza da convicção portuguesa, a UNESCO porventura concluísse pela duvidosa relevância histórica, científica e universal da viagem em causa, e propusesse que a candidatura fose ... submetida à FIFA ....
  • José Joaquim Cruz Pinto
    16 mar, 2019 Ílhavo 13:00
    Sempre a conversa do costume! Agora inventam que a rivalidade é só no futebol, ... que parece ser o que mais interessa. Isto, da boca de um historiador para fora, é de RIR À GARGALHADA, ... e depois esquecer, ... para não sentirmos revolta. Temos quase 900 anos, mas ainda temos muito a aprender com os catalães.