A+ / A-

Atriz Maria João Abreu é uma jornalista em crise no Teatro de Almada

14 mar, 2019 - 19:28 • Maria João Costa Maria João Costa

“Fenda” é a peça que vai estar no Teatro Municipal Joaquim Benite, de 15 de março a 7 de abril. Retrata a vida de uma jornalista e tem como protagonistas os atores Maria João Abreu e Diogo Dória.
A+ / A-

Desde que, em 2012, assumiu funções como diretor da Companhia de Teatro de Almada que Rodrigo Francisco não escrevia um texto original para teatro. A última vez que tinha assinado uma peça, ainda Joaquim Benite estava vivo e dirigia a companhia. Agora, o diretor artístico da companhia respondeu ao desafio da atriz Teresa Gafeira para voltar a escrever dramaturgia. O resultado chama-se “Fenda”, a peça que estreia a 15 de março e que vai estar em cena até 7 de abril.

No palco do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, é apresentada a história de Catarina, uma jornalista de televisão, mulher de sucesso que subiu na carreira a pulso.

“É um texto para atores”, diz Rodrigo Francisco, o autor que considera que “é isso que as pessoas vão ver ao teatro, os atores”.

Protagonizada pela atriz Maria João Abreu e o ator Diogo Dória, a peça “tem conflito” e uma “história embrincada”, explica à Renascença Rodrigo Francisco.

Além de Maria João Abreu e Diogo Dória, em palco estão Adriana Melo, Carlos Fartura, João Farraia, João Tempera, Mina Andala e Pedro Walter.

A peça, diz o seu encenador, reflete os tempos atuais. “Nós somos como esponjas. Quando nos lançamos a criar uma coisa, um tanto involuntariamente os inputs a que estamos sujeitos acabam por ter influência no que estamos a fazer”, indica Rodrigo Francisco ao programa Ensaio Geral da Renascença.

Nesta peça em tom de thriller psicológico, “há uma grande ausente” que é a mãe da protagonista e o texto mais do que ser sobre o jornalismo, é peça sobre a “história de uma mulher”.

Rodrigo Francisco usa a metáfora do icebergue, recordando as palavras de Ernest Hemingway, para explicar que em “Fenda”, há várias camadas e muito está naquilo “que não é dito”. “A história é dúbia”, na opinião do seu autor. Em “Fenda”, através da história de Catarina são levantadas outras questões como remanescências do colonialismo, a cultura do consumo que gera uma espécie de falsa classe burguesa.

Determinante no elenco é a atriz Maria João Abreu que Rodrigo Francisco explica, ainda não tinha trabalhado com a Companhia de Teatro de Almada, mas que vestiu na perfeição o papel.

“É uma grande atriz do teatro português. Tem tido um percurso muito paralelo àquele que é o percurso de uma companhia como a nossa, mas é uma mulher de teatro, com grande sensibilidade, tem uma vida que tem muito a ver com a vida desta personagem, desta jornalista em crise. Por isso, a peça chama-se ‘Fenda’, porque há uma crise existencial, há uma dor que ela procura esconder e acho que a Maria João Abreu tem grande sensibilidade para o papel.”

O estilista José António Tenente é quem assina os figurinos da peça. São roupas muito próximas das que usamos nos dias de hoje, porque a peça passa-se em Lisboa dos dias de hoje.

“Fenda” vai estar em cena até 7 de abril, de quinta a sábado às 21h00, e quarta-feira e domingo às 16h00. Se for ao sábado poderá ouvir um ciclo de debates em torno do jornalismo, sempre às 18h00, no foyer do teatro de Almada. Por lá vão passar Pedro Santos Guerreiro, do “Expresso”, o historiador José Pacheco Pereira, a investigadora Carla Baptista e a jornalista Ana Sousa Dias.


legislativas 2019 promosite
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.