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David contra Golias. Inventor português põe Huawei em tribunal por roubo de patente

14 mar, 2019 - 12:25 • Ana Rodrigues

Tudo começou com uma reunião nos EUA em 2014. Prazo para multinacional chinesa resolver a questão "está a esgotar-se", garante o empresário à Renascença.
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Reportagem com empresário português que está a processar a Huawei, da jornalista Ana Rodrigues
Reportagem com empresário português que está a processar a Huawei, da jornalista Ana Rodrigues
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Rui Pedro Oliveira nunca imaginou que um dia iria entrar em guerra com uma das maiores multinacionais de telecomunicações. Mas é para a batalha que o empresário do Porto vai avançar, tudo por causa de uma câmara de smartphone que, garante à Renascença, foi ele que inventou - e cuja patente registou.

Em maio de 2014, quando se reuniu pela primeira vez com representantes da Huawei nos Estados Unidos para lhes dar a conhecer a sua mais recente invenção, Rui Pedro Oliveira acreditou que estava protegido, até porque assinou um documento de confidencialidade (NDA) com a empresa, muito comum quando se trata de negociar invenções.

"Houve desde logo muito interesse na invenção e com o NDA assinado, os quatro representantes da Huawei que estavam presentes na reunião no Texas sabiam perfeitamente que estavam perante uma coisa secreta e que não podiam usar nada", defende o empresário.

Depois dessa, ainda houve uma segunda reunião antes de os contactos entre as partes terminarem. Rui Pedro Oliveira nunca mais teve notícias sobre o interesse da Huawei em comprar a sua invenção e respetiva patente, fruto de uma ideia "durante uma viagem, quando quis captar com o telemóvel a rara beleza de uma paisagem e verificou que a câmara do seu telemóvel não conseguia fazer zoom suficiente para tirar a foto com qualidade".

Não pensou mais nisso. Até descobrir a sua SMATCAM à venda nas lojas da Huawei. Foi aí que o CEO da empresa Imaginew percebeu que tinha sido vítima de roubo da patente.

O empresário do Norte deu por si envolvido numa troca acesa de emails e telefonemas com a multinacional chinesa que, segundo Rui, "apenas tem estado a empatar, porque se quisessem resolviam o diferendo em poucas horas, bastava um email".

Como isso continua sem acontecer e como se viu "obrigado" a contratar um advogado norte-americano para negociar com a Huawei, o inventor decidiu avançar para os tribunais.

"Claro que isso custa muito dinheiro, que não tenho", admite à Renascença, explicando que já teve de vender a casa para pagar o processo. Agora, com a entrada em cena dos bancos americanos especializados em litígios, "o prazo dado à Huawei para resolver a coisa a bem está a esgotar-se", garante.

"Isto não vai ficar por aqui. Só quero aquilo a que tenho direito. Fiz tudo certo, tenho as duas patentes registadas nos EUA. Basta consultarem na internet, porque o registo da patentes é público."

Contactada pela Renascença, a Huawei nega as acusações de roubo de patente ao empresário português.

Em comunicado, a empresa de tecnologia chinesa refere que a Huawei EnVizion 360 Camera foi totalmente desenvolvida pela sua equipa na China. Por isso, recusa as alegações de plágio de design feitas por Rui Pedro Oliveira ou infrações com qualquer tipo de patentes relacionadas com os Estados Unidos.


[notícia atualizada com a resposta da Huawei]

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