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​“Pelos Caminhos do Mundo” chega a Valpaços para espevitar a dimensão missionária da Igreja

11 mar, 2019 - 23:50 • Olímpia Mairos

“Todas as terras são terras de missão. É preciso fomentar uma cultura cristã, porque não basta dizermos que somos todos cristãos e, depois, na prática, termos as igrejas vazias. Não podemos queixar-nos da desertificação. As igrejas é que estão desertas”, alerta o diretor das Obras Missionárias Pontifícias da Diocese de Vila Real.
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A cidade de Valpaços acolhe, até ao próximo dia 18, a exposição “Pelos Caminhos do Mundo”. Em itinerância por todas as dioceses de Portugal, a mostra artística e missionária está patente ao público no Auditório Arte e Cultura Luís Teixeira.

“É uma forma de espevitar a dimensão missionária em ordem à memória do passado e à projeção para o futuro”, explica à Renascença o vice arcipreste da Terra Quente, padre Jorge Fernandes.

Quem visitar a exposição vai poder conhecer também os missionários e missionárias naturais do território do arciprestado da Terra Quente que trabalharam e trabalham em países de missão.

“Estão ali 16, mas haverá muitos mais que não foi possível recolher os dados biográficos. É uma oportunidade para tomarmos consciência de que desta terra partiram muitos missionários e também uma forma de provocar e suscitar algum interesse pela missão”, considera o sacerdote.

A exposição, promovida pelos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG), é composta por 12 painéis sobre a missão, um jogo interativo e 34 objetos religiosos e etnográficos dos cinco continentes, congregando a diversidade de povos e culturas.

De entrada gratuita, “Pelos Caminhos do Mundo” poderá ser visitada por todos, sendo que foi feita uma sensibilização especial à crianças e jovens das escolas e da catequese.

Para o diretor diocesano das Obras Missionárias Pontifícias, padre Horácio Pereira, “o missionário é alguém que onde está é missão”. “É missão pelo sorriso, pelo falar, pelo cantar, por chamar à atenção, por corrigir, por incentivar outros, é sempre missão”, explica.

O sacerdote da Sociedade Missionária da Boa Nova partiu em missão para a Zâmbia após a ordenação e conta que foi “cheio de genica” e que viveu “uma vida de inculturação ao serviço do evangelho”.

“Foi uma vida completamente nova, embora tenha partido com alguma preparação. Mas o ter que mudar o meu estilo de vida europeu, para incarnar a vida das pessoas, foi uma mudança boa, foi lenta, foi profunda. E, para mim, a inculturação funcionou perfeitamente desde a língua, costumes, o sentar-me à mesa do jeito que eles se sentavam, comer as mesmas comidas, partilhar as vidas deles, ouvir as histórias e as tradições, foi vida que ainda hoje é vida para mim, não passou…”, conta à Renascença.

O missionário, no entender do padre Horácio, é alguém que parte para “ser e estar como fermento que começa a levedar, a transformar por dentro, não pode ser alguém que chega com teorias para se impor”.

“A nossa vida é um dom. O missionário arrisca, vai para as periferias, vai para as situações para onde outros não querem ir e há situações de risco. Eu estive na fronteira com o Zaire, sempre em guerra, vi alguma balas passarem-me ao lado, uma até ficou numa mala. Fui e vim e posso contar as histórias. Alguns ficam lá semeados, não ficam mortos, ficam semeados e as sementes germinam, crescem e dão frutos”, acrescenta o sacerdote.

“Um missionário é missionário toda a vida”, afirma o padre Horácio Pereira, exemplificando com a sua experiência. “Sou o que sou na Diocese de Vila Real, porque tenho raízes mais largas, não ficaram aqui. Eu sou missão, aqui”.

“E a missão não acontece apenas e só “Ad Gentes”. Todas as terras são terras de missão. É preciso evangelizar, viver a nova evangelização. É preciso fomentar uma cultura cristã, porque não basta dizermos que somos todos cristãos e, depois, na prática, termos as igrejas vazias. Não podemos queixar-nos, aqui na diocese, da desertificação. As igrejas é que estão desertas”, alerta o sacerdote.

Segundo o responsável diocesano das Obras Missionárias Pontifícias “é preciso motivar com discernimento, com uma terminologia mais atraente, com uma maneira de celebrar que fale mais diretamente e que nos envolva a todos. Não sermos ouvintes, mas sermos missão. Na europa precisamos de fazer isto”.

“E a Europa, as comunidades, as paróquias, o clero diocesano, precisam de não ter medo que alguém queira partir, porque não perdemos, ganhamos quando damos”, conclui o sacerdote.

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