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Cardeal indiano pede “humildade de aprender com os nossos erros”

22 fev, 2019 - 11:10 • Filipe d'Avillez , Aura Miguel

Os cardeais Oswald Gracias e Blase Cupich concordam na necessidade de se apostar na colegialidade. Nenhum bispo deve pensar que o problema dos abusos sexuais não lhe diz respeito.
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A Igreja cometeu erros e deve aprender com eles, disse esta sexta-feira de manhã o cardeal Oswald Gracias, da Índia, na apresentação que abriu o segundo dia da cimeira dos abusos sexuais na Igreja.

“Temos de ter a humildade de admitir que cometemos erros. Devemos aprender. Aprendemos com os nossos erros a agir melhor da próxima vez, como lidar melhor com tais casos quando voltarem a surgir.”

“Lidar com a crise dos abusos sexuais na Igreja é um desafio complexo e multifacetado, talvez sem precedentes na história da Igreja, devido à comunicação global dos nossos tempos. Isto faz com que na nossa situação atual a colegialidade seja ainda mais decisiva”, disse o cardeal.

Oswald Gracias sublinha que é importante perceber que todos os bispos são chamados a assumir responsabilidades nestes assuntos. “É muito claro. Nenhum bispo pode dizer que este problema não lhe diz respeito porque as coisas são diferentes na sua região. Todos os que estão hoje neste auditório devem abordar, em conjunto, o problema dos abusos sexuais de menores por membros do clero no mundo. Somos chamados, como um só corpo, a examinar-nos a nós mesmos.”

A importância da colegialidade foi enfatizada também pelo cardeal Blase Cupich, de Chicago, que preside à cimeira, e que disse que facilmente os bispos podem sentir-se isolados perante esta crise.

Cupich, que apresentou ainda 12 pontos para implementar medidas de responsabilização de bispos envolvidos em casos de abusos ou de encobrimento, disse que a estratégia da Igreja neste campo deve ter como pilares a escuta radical da sociedade e das vítimas, dar espaço ao testemunho dos leigos, a colegialidade e o acompanhamento das vítimas.

Sobre este último ponto o cardeal disse que em caso algum os bispos se devem afastar das vítimas, mesmo quando aconselhados nesse sentido por razões jurídicas.

O americano disse ainda que é importante ultrapassar as falhas de comunicação que os escândalos do último ano, no Chile, nas Honduras e nos EUA, entre outros, mostraram existir não só entre bispos, mas entre os bispos e o Vaticano também.

A cimeira dos abusos sexuais começou na quinta-feira e prolonga-se até domingo. Em Roma estão 190 bispos e superiores de ordens religiosas, reunidos com o Papa para discutir a crise e as melhores formas de lhe fazer frente.

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