A+ / A-
​Em Nome da Lei

João Proença avisa que “todos perderiam com um não acordo” entre ADSE e privados

22 fev, 2019 - 07:33 • Marina Pimentel

Em declarações à Renascença, o presidente do Conselho Geral e de Supervisão do subsistema de saúde do Estado afirma que o Governo “tem tido expressões infelizes” sobre a ADSE, nos últimos dias.
A+ / A-

O presidente do Conselho Geral e de Supervisão da ADSE, o subsistema de saúde do Estado, está otimista em relação a um acordo com os grupos privados. Ao programa Em Nome da Lei da Renascença, João Proença diz que “o diálogo mal começou”, mas acredita que o desfecho será positivo “porque todos perderiam com um não acordo: ADSE, Serviço Nacional de Saúde e grupos privados”.

A direção da ADSE e os principais grupos de saúde privados iniciaram negociações para ultrapassarem a iminente suspensão dos acordos convencionados pelo subsistema de saúde dos funcionários públicos. Três dos principais grupos de saúde privados anunciaram nas últimas semanas que iriam suspender as convenções com a ADSE, a partir de meados de abril.

Em causa, sobretudo a exigência feita pelo instituto público aos grupos privados de que lhe devolvesses 38 milhões de euros, devido a excessos de faturação efetuados entre 2015 e 2016.

João Proença diz, no entanto, que o objetivo central das negociações que estão em curso “não são os 38 milhões de euros” que o Governo quer que os privados devolvam, “mas a criação de uma tabela de preços justos”.

O presidente do Conselho Geral e de Supervisão da ADSE reconhece que “é preciso rever as tabelas para preços justos. Até porque desde 2004 que não são mexidas”.

João Proença garante que “a ADSE tem capacidade para avaliar em que medida pode haver abusos de faturação da parte dos grupos privados”, mas acusa o Governo de “tentar limitar as capacidades de gestão do instituto público, ao não ter inscrito no Orçamento do Estado o prometido reforço de meios humanos”.

João Proença acusa, também, o Governo de “bloquear todas as propostas feitas pela ADSE, a começar por uma que mexe com a sustentabilidade do subsistema de saúde que é a sua abertura a novos beneficiários e nomeadamente aos funcionários com contrato individual que atualmente não podem inscrever-se na ADSE”.

“O problema da ADSE”, sustenta João Proença, “é que as despesas estão a crescer a 6,2% ao ano e as receitas a menos de 1%. Se nada for feito, o sistema torna-se insustentável”.

João Proença diz que a tutela da saúde “tem tido expressões infelizes” sobre a ADSE, nos últimos dias. O secretário de Estado admitiu a sua privatização e a ministra Marta Temido defendeu que o SNS tem capacidade para absorver os beneficiários da ADSE, se falharem as negociações com os privados. Afirmações que equivalem a um atestado de óbito da ADSE, diz João Proença.

No Em Nome da Lei da Renascença, Germano de Sousa considera que as declarações da inistra da Saúde não têm qualquer adesão à realidade. O ex-bastonário da Ordem dos Médicos e atual líder de uma rede privada de análises clínicas afirma que “o Serviço Nacional de Saúde implodia se tivesse de receber o milhão e 200 mil beneficiários da ADSE”.

O oftalmologista João de Deus, do Conselho Nacional da Ordem dos Médicos, diz que na sua especialidade” seria o caos se de repente entrassem porta dentro dos beneficiários da ADSE”.

Este é um excerto do programa em Em Nome da Lei, que é transmitido aos sábados ao meio dia e repetido à meia noite.

Tópicos
Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • J M
    22 fev, 2019 Seixal 16:44
    João Proença, o traidor dos trabalhadores portugueses, quando no fatídico ano de 2012 assinou a nova lei laboral. Não admira agora estar contra aqueles que não admitem ser chantageados pelos grupos de saúde privados. João Proença diz que a ADSE tem capacidade para gerir os abusos de faturação pelos grupos privados e depois pagou mais 38 milhões de euros que o devido, com a desculpa esfarrapada que tem falta de meios humanos? Pelo historial deste senhor, percebe-se o que pretende fazer com os descontos dos beneficiários da ADSE, quando afirma que o “objetivo central das negociações que estão em curso não são os 38 milhões de euros que o Governo quer que os privados devolvam”. Já está a lançar no ar o facto de as verbas serem insuficientes para as despesas, não tarda, vem propor mais um aumento nos descontos dos beneficiários da ADSE, quando se sabe que atualmente existe um excedente. Deixem-no à vontade a negociar com os grupos de saúde privados e verão o destino dos descontos, é um poço sem fundo, mais uns anos lá vai o orçamento geral do estado tapar mais um buraco.
  • ze
    22 fev, 2019 aldeia 15:15
    A saúde está mesmo doente!.............
  • Filipe
    22 fev, 2019 évora 11:40
    Deviam de acabar com a ADSE já ! Pois , a sua continuação está a contaminar o sistema público de saúde de taxas abismais , vulgo Moderadoras . Pois , se alegam que pagam extra para a ADSE no ordenado para além do desconto da CGA , quem trabalha no privado paga depois taxas Moderadoras , é nojento ter-se uma doença súbita com febre de 39 graus , por exemplo infeção urinária ir-se a uma Urgência pública e sair-se de lá com uma fatura de quase 30 euros em taxas ! Só deviam pagar taxas quem não contrata doenças naturais quem as provoca ! Com isto o Estado financia-se e burla o povo , uma vergonha Nacional . Pulseira Amarela na triagem e faturas exorbitantes par apagar , pode-se perguntar se em Portugal se pode adoecer sem consentimento . Nem nos Hospitais Veterinários se paga tanto por menos , até o Cartão Continente permite descontos . Não admira que em Portugal exista cada vez mais partidos políticos , pois é um grande negócio de lucro fomentado após 25 Abril ... e o povo é que paga a essa gente que se sustenta por conta do povo .
  • Jorge
    22 fev, 2019 Beja 09:57
    Sou beneficiário de um subsistema de saúde há mais de 30 anos e ainda não percebi porque é que sou obrigado a pertencer a esse subsistema? quero crer que não é por mim mas provavelmente para garantir os subvencimentos dos dirigentes (presidentes e outros que gravitam ao redor). Nos dias de hoje não se justifica que haja subsistemas de saúde e muito menos obrigatórios.
  • FERNANDO MACHADO
    22 fev, 2019 PORTO 08:59
    QUEM AVISA TEU AMIGO É. ASSIM REZA O DITADO E O AVISO SER DADO POR ESTE ARTISTA, NÃO É DE DESPREZAR. A Assistência na Doença aos Servidores do Estado ADSE . COM ESTA MALTA NÃO VAI DURAR MUITO TEMPO. DIGAM DE CONCRETO O QUE SE PASSA. NÃO FAÇAM CAIXINHA...