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Violência doméstica. “Entre homem e mulher, deve meter-se a colher”

12 fev, 2019 - 12:00 • Liliana Carona

O padre Pedro Leitão, de Santa Comba Dão, diocese de Viseu, é sacerdote há 10 anos e já perdeu a conta ao número de casos de violência doméstica que acompanhou e ajudou a denunciar. Para ele, o mal reside na comunidade que se aliena desta problemática.
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As promessas do dia do casamento nem sempre são cumpridas, como demonstra uma das muitas campanhas da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) onde se vê a noiva levantar o véu sob um rosto machucado.

O padre Pedro Leitão, 37 anos, sacerdote há 10, não revela quantos casos já ouviu em confissão e, apesar do sigilo a que está obrigado, já acompanhou algumas vítimas até à denúncia. “Já houve casos em que tive que intervir. É preciso que as vítimas sintam a companhia de alguém. As pessoas sentem no padre um refúgio”, conta.

“Não concordo nada com aquele ditado popular, muito estranho, que diz que entre homem e mulher não metas a colher. Entre homem e mulher, deve haver sempre amigos que queiram ajudar. É mais fácil chamar a polícia por causa da música alta que um jovem está a ouvir no quarto do que quando se ouvem berros ou estalos entre marido e mulher”, diz o padre, que está à frente das paróquias de S. João de Areias, Óvoa e Pinheiro de Ázere, em Santa Comba Dão.

O Governo anunciou, recentemente, a criação de mais uma casa-abrigo para vítimas de violência doméstica, localizada em Viseu, algo que leva o padre Leitão a notar que se beneficia mais o agressor do que a vítima. “Ao tirar a vítima da sua rotina e vida normal, parece que estamos a criar guetos e o agressor regressa à sua vida normal. Quase que estamos a beneficiar o agressor e não a pessoa agredida”, argumenta.

A vítima não o é apenas de violência física, sublinha o Pedro Leitão, apontando alguns exemplos com que já se deparou: "Não deixar sair de casa, não deixar arranjar-se... O ciúme nos idosos é algo muito presente e também há casos de violência da mulher contra o homem.”

Olhando os últimos acontecimentos, o padre Pedro Leitão apela a que não se usem expressões bíblicas para justificar o injustificável. “Claro que não se pode usar uma expressão bíblica numa sentença de tribunal. Também há o homem adúltero. A Bíblia tem expressões machistas porque foram escritas num tempo em que a mulher não era colocada ao mesmo nível do homem”, adverte, contrapondo com uma passagem bíblica: “Quem de entre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra".


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  • me too
    13 fev, 2019 17:43
    ... Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados. Graças a Deus que a humanidade foi feita desigual. ...(foram feitos homem e mulher)... Também foram feitos inteligentes e estúpidos. Dávila, Nicolás Gómez: A liberdade é o direito a ser diferente; e a igualdade é a proibição de o ser.