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Ninguém quer que o Alentejo fique "a ver passar comboios"

11 fev, 2019 - 14:59 • Rosário Silva , Filipe d'Avillez

Na adjudicação da obra do primeiro troço da linha que vai ligar Évora a Elvas, e que vai custar cerca de 46,6 milhões de euros, o Governo quis mostrar que está a apostar no investimento para que Portugal resista ao arrefecimento económico mundial.
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O primeiro-ministro garantiu esta segunda-feira que o seu Governo vai continuar a privilegiar o investimento público, numa altura em que se assiste “ao arrefecimento” da economia internacional.

António Costa falava em Redondo, no distrito de Évora, na cerimónia de adjudicação da empreitada para a construção do novo troço ferroviário Évora Norte/Freixo. Uma cerimónia com apelos ao executivo para que o Alentejo não seja esquecido e não fique a “ver passar os comboios”.

O presidente da CM do Redondo, António Reto, lançou o alerta: “Porque nem o senhor primeiro-ministro, nem certamente ninguém que está nesta sala pretende, com a conclusão desta obra, que os alentejanos desta região fiquem a ver passar comboios”.

O ministro das infraestruturas, Pedro Marques, anuiu: Nem querem os autarcas, nem o Governo, nem a Infraestruturas de Portugal, que o Alentejo veja os comboios passar.”

E o primeiro-ministro garantiu: “É por isso que é fundamental que esta linha não seja uma obra para que quem cá vive fique a ver os comboios passar”.

Na adjudicação da empreitada para a construção do novo troço ferroviário, com um custo previsto de 44.6 milhões de euros, e que será o primeiro de três da ligação Évora e Elvas, no corredor internacional Sul, António Costa disse que é necessário recuperar o tempo perdido com um projeto que, considera, vai melhorar a competitividade externa e a coesão interna.

"Se é muito importante melhorarmos a competitividade externa, é absolutamente essencial melhorarmos a coesão interna e para isso é necessário que cada território seja capaz de extrair todo o potencial que esta nova infraestrutura oferece", disse o primeiro-ministro, que elege o investimento público como prioridade e diz que não quer ser apanhado desprevenido num cenário de arrefecimento da economia internacional.

Pedro Marques elogiou também o investimento do Governo neste campo e diz que de agora em diante só vai melhorar. “O Ferrovia 2020, a meio do seu percurso de execução, tem cerca de 40% das suas obras em fase de execução. É completamente razoável, normal e é aquilo que nos vai permitir que, chegados ao fim do programa, tenhamos de facto os dois mil milhões de euros de investimento realizado.”

“Eu disse o ano passado que 2018 seria o ano da velocidade de cruzeiro do Ferrovia 2020. Qual foi o resultado em 2018? Aumentámos 80% o investimento público em ferrovia comparado com o ano anterior. E este ano tem de subir mais, e vai subir mais nos próximos anos, até à conclusão do programa, porque naturalmente é um programa de grande ambição de investimento, aquele que estamos a realizar, em que mobilizámos o melhor da Infraestruturas de Portugal, da capacidade técnica da engenharia nacional, para podermos realizar um programa que não tem paralelo nas últimas décadas no nosso país”, concluiu.


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