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Papa esperado nos Emirados por “imigrantes de mais de 100 países diferentes”

03 fev, 2019 - 13:26 • Redação

A visita do Papa Francisco acontece 900 anos depois de São Francisco ter visitado o Sultão do Egito, num dos primeiros grandes eventos de diálogo entre cristãos e muçulmanos.
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O vigário apostólico da Igreja Católica nos EAU, Paul Hinder, diz que o Papa vai encontrar naquele país uma Igreja “multirracial, multicolor e multilinguística”.

Em entrevista ao site Vatican News, o bispo Paul Hinder diz que teve muito pouco tempo para preparar a visita que se inicia este domingo.

“Os meus fiéis são todos migrantes de diferentes extratos sociais. A maior parte são da Ásia, sobretudo das Filipinas e da Índia, mas há também africanos, europeus e americanos”, explica o bispo.

A realidade para os cristãos nos Emirados Árabes Unidos é melhor do que em alguns países vizinhos, onde o culto é proibido, mas ainda assim há problemas, como a impossibilidade de obter cidadania, o que faz com que pessoas que passem uma vida inteira no país nunca deixem de ser vistas como estrangeiros.

Apenas cerca de 20% da população dos Emirados Árabes Unidos é cidadão do país, com os restantes 80% compostos por trabalhadores imigrantes.

Apesar de ter tido apenas cerca de seis semanas para preparar a visita, Paul Hinder esclarece que o grosso do trabalho ficou a cargo do Estado, uma vez que o Papa não visita os Emirados apenas para estar com a comunidade católica, mas para participar num encontro inter-religiosos, juntamente com altas figuras do mundo islâmico.

À Vatican News o bispo explica ainda que os Emirados Árabes Unidos são particularmente tolerantes para com o Cristianismo, graças á atitude da família real, tendo a primeira igreja naquele país sido construída em 1965. Da parte da Igreja Católica a abertura ao diálogo data sobretudo do Concílio Vaticano II.

Mas também é possível ir mais atrás no tempo, explica. “É uma feliz coincidência que em 2019 estamos a celebrar 800 anos do encontro de São Francisco com o Sultão do Egito. Isso aconteceu em tempo de conflito e São Francisco teve a coragem de atravessar fronteiras e frentes de batalha”.

Concluindo, estabelece o paralelo com os nossos tempos. “Penso que que existe uma analogia com o Papa Francisco, que não tem medo de atravessar fronteiras e que diz ‘temos de comunicar, independentemente do que os outros possam pensar, independentemente do que possa acontecer, porque não há outra forma de nos encontrarmos do que olhando olhos nos olhos e trocando palavras’”.


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