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O que disseram os Papas aos jovens portugueses, "filhos de um povo missionário"

27 jan, 2019 - 15:06 • Filipe d'Avillez

Desde João Paulo II, que lhes chamou "filhos de um povo missionário", até Francisco, que pediu respeito pelos sonhos dos jovens, passando por Bento XVI, que foi à janela do seu quarto ouvir milhares de jovens a fazer-lhe uma serenata.
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Ao longo das últimas décadas foram muitas as palavras que os diferentes Papas dirigiram aos jovens portugueses. A Renascença recupera aqui algumas das principais citações.


Vós sois depositários desta grande esperança da humanidade, da Igreja e do Papa. Deus deu-me a graça da amar muito os jovens.

Por isso, gostaria de falar-vos como um amigo fala ao seu amigo, com cada um individualmente, olhos nos olhos, de coração a coração.

“O Reino de Deus está próximo!”. E quase me atreveria a dizer: estas palavras são dirigidas especialmente a vós jovens portugueses, filhos de um povo de missionários que, por todo o mundo, levaram essa mesma mensagem.

João Paulo II, Missa com os jovens portugueses, 1982


É sabido quanto vós sois sensíveis à tentação entre o bem e o mal, que existe no mundo e em vós próprios. No íntimo de vós mesmos, sofreis ao ver o triunfo da mentira e da injustiça; sofreis, por vos sentirdes incapazes de fazer triunfar a verdade e a justiça; sofreis, por vos descobrirdes, ao mesmo tempo, generosos e egoístas. Desejaríeis servir e colaborar sempre com as iniciativas em favor dos oprimidos, mas... sentis-vos traídos por tantas coisas e aliciados por outras que vos quebram as asas. Espontaneamente sois levados a rejeitar o mal e a desejar o bem. Mas, algumas vezes tendes dificuldade em ver e em aceitar que para chegar ao bem é preciso passar pela renúncia, o esforço, a luta, a cruz; sucedeu com aquele jovem que, desejando a perfeição e querendo seguir Jesus, não conseguia compreender e aceitar que era necessário renunciar aos bens materiais.

Contudo, caros jovens, para além destas tensões, possuís uma aptidão quase co-natural para evangelizar. Porque a evangelização não se faz sem entusiasmo juvenil, sem juventude no coração, sem um conjunto de qualidades em que a juventude é pródiga: alegria, esperança, transparência, audácia, criatividade, idealismo... Sim, a vossa sensibilidade e a vossa generosidade espontânea, a tendência para tudo o que é belo, tornam cada um de vós um “aliado natural” de Cristo. Para mais, só em Cristo encontrareis resposta aos próprios problemas e inquietações. E vós sabeis porquê: Ele foi o homem que mais amou; e deixou-nos um “código” do amor, o seu Evangelho que, lido pelo Concílio, “... proclama a liberdade dos filhos de Deus; rejeita toda a escravidão, derivada, em última análise, do pecado; respeita integralmente a dignidade da consciência e a sua livre decisão; sem cessar, recorda que todos os talentos humanos devem redundar em serviço de Deus e dos homens; e, finalmente, a todos recomenda a caridade”.

João Paulo II, Missa com os jovens portugueses, 1982


Falar da evangelização, recordar a tarefa missionária aqui, em Portugal, é evocar um dos aspetos mais positivos da história do vosso país. Daqui saíram tantos missionários, vossos antepassados, que foram levar a Boa Nova da salvação a outros homens. Do Oriente ao Ocidente (Japão, Índia, África, Brasil...); e ainda hoje são visíveis os frutos dessa missionação. E muitos destes missionários eram jovens como vós. Como não lembrar, entre outros, aqui em Lisboa, o exemplo de São João de Brito, jovem lisboeta, que, deixando a vida fácil da corte, partiu para a Índia, a anunciar o evangelho da salvação aos mais pobres e desprotegidos, identificando-se com eles, e selando a sua fidelidade a Cristo e aos irmãos com o testemunho do martírio?

Rapazes e raparigas de Portugal: levantai os olhos e vede “a seara loirejante para a ceifa”, à espera de braços para o “trabalho”.

João Paulo II, Missa com os jovens portugueses, 1982

Jovens, rapazes e raparigas, filhos de Portugal dos nossos dias: Olhai para tantos que vos precederam no passado, também eles filhos desta Pátria. Filhos da sua cultura e da sua língua. Das suas provações e das suas vitórias.

Quantos deles responderam, com a doação total da vida, ao apelo de Cristo! Da Rainha Santa Isabel a João de Deus, de António de Lisboa a João de Brito – para falar só de santos canonizados – por caminhos diferentes, todos eles se moveram na caridade de Deus, enamorados do ideal da verdade e do amor, movidos pelo Espírito e Cristo. E quem poderá dizer, perante o vosso entusiasmo e alegria, que os jovens portugueses de hoje são menos interessados, menos disponíveis e menos atentos a Cristo que os do passado? Sim, Cristo confia em vós! A Igreja confia em vós! O Papa confia em vós!

Acolhei, amados jovens, acolhei uma vez mais o chamamento de Cristo: Sede testemunhas d’Ele!

João Paulo II, Missa com os jovens portugueses, 1982


Dirigindo-me principalmente aos jovens, quero dizer-lhes: sobre vós convergem olhares esperançosos, que não ireis, certamente, desiludir. Vós sois motivo de legítimo orgulho para os vossos pais, parentes e amigos; de vós se espera firmeza na conceção integral do homem, da vida, da sociedade, não disjunta dos valores morais e religiosos, para irradiação da cultura e da civilização cristã. Vós pelo que sois, constituís a promessa de um mundo mais justo, mais humano e mais fraterno; promessa que mantereis, se conscientes e empenhados em viver a vossa opção e compromisso com Cristo, de “serdes fermento na massa”.

João Paulo II, Missa na Universidade Católica, 1982


Ao contemplar a numerosa juventude que aqui acorreu para ver e escutar o Papa, o meu coração e a minha palavra envolve-a de um modo particular: queridos jovens, que sois os discípulos de Jesus do Terceiro Milénio, abraço-vos a todos e cada um de vós e asseguro, desde já, que a mensagem, que vos trago, me foi dada a conhecer pelo Espírito do Senhor nos anseios e propósitos de inumeráveis multidões de jovens de todo o mundo, à procura da felicidade.

João Paulo II, Ponta Delgada, 1991


Queridos jovens, à luz desta escala de valores de Jesus, convido-vos a avaliar comigo os vossos anseios, porque há “grandiosas propostas” que vos fazem e terminam em coisa nenhuma, deixando-vos desiludidos; como há, pelo contrário, desafios para andar por caminhos certamente difíceis, mas com a garantia de encontrardes neles um pedaço mais da vossa personalidade, que ninguém vos roubará! A juventude é a época de armazenamento para a vida, tempo de formação para as grandes responsabilidades do amanhã. Estai alerta contra o chamariz de um mundo que quer explorar e manipular a vossa busca honesta e generosa de felicidade e orientação!

João Paulo II, Ponta Delgada, 1991


Caros jovens, meus amigos, quando tiverdes de escolher entre o amor e o egoísmo, lembrai-vos do exemplo de Cristo, e corajosamente segui a opção de amor. Assim o vosso projeto de vida, por vontade de Deus, deverá realizar a vocação do amor... O amor é a vocação única do homem, podendo ser realizada no matrimónio ou na doação total de si mesmo pelo Reino dos Céus. Desejo repetir aqui hoje quanto vos disse em Santiago de Compostela: “Jovens, não tenhais medo de ser santos! Voai alto, sede daqueles que apontam para metas dignas de Filhos de Deus” No centro do vosso agir, esteja Cristo! Segui-O, imitai-O!

João Paulo II, Ponta Delgada, 1991


Pedi aos vossos pais e educadores que vos metam na “escola” de Nossa Senhora, para que Ela vos ensine a ser como os pastorinhos, que procuravam fazer tudo o que lhes pedia. Digo-vos que “se avança mais em pouco tempo de submissão e dependência de Maria, que durante anos inteiros de iniciativas pessoais, apoiados apenas em si mesmos”. Foi assim que os pastorinhos se tornaram santos depressa. Uma mulher que acolhera a Jacinta em Lisboa, ao ouvir conselhos tão bons e acertados que a pequenita dava, perguntou quem lhos ensinava. “Foi Nossa Senhora” ― respondeu. Entregando-se com total generosidade à direção de tão boa Mestra, Jacinta e Francisco subiram em pouco tempo aos cumes da perfeição.

João Paulo II às crianças portuguesas, Fátima, 2000


Queridos amigos,

Gostei da participação viva e numerosa dos jovens na Eucaristia desta tarde no Terreiro do Paço, dando provas da sua fé e vontade de construir o futuro sobre o Evangelho de Jesus Cristo. Obrigado pelo testemunho jubiloso que prestais a Cristo, eternamente jovem, e pelo carinho que manifestais ao seu pobre Vigário na terra com esta serenata. Viestes desejar-me a boa-noite, e de coração vo-lo agradeço; mas agora tendes de me deixar dormir, senão a noite não seria boa, e o dia de amanhã está à nossa espera.

Sinto-me feliz por poder unir-me à multidão dos peregrinos de Fátima no décimo aniversário da Beatificação de Francisco e Jacinta. Estes, com a ajuda de Nossa Senhora, aprenderam a ver a luz de Deus nos seus corações e a adorá-la na sua vida. Que a Virgem Maria vos alcance a mesma graça e vos proteja! Continuo a contar convosco e com as vossas orações para que esta Visita a Portugal seja frutuosa. E agora, com grande afecto vos dou a minha Bênção, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Boa noite! Até amanhã.

Muito obrigado!

Bento XVI, palavras dirigidas aos jovens reunidos à porta da Nunciatura Apostólica em Lisboa, 2010

Queridos Irmãos e jovens amigos, Cristo está sempre connosco e caminha sempre com a sua Igreja, acompanha-a e guarda-a, como Ele nos disse: «Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Nunca duvideis da sua presença! Procurai sempre o Senhor Jesus, crescei na amizade com Ele, comungai-O. Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e também a reconhecê-Lo nos pobres. Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presença e da sua amizade gratuita, generosa, fiel até à morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presença forte e suave a todos, a começar pelos da vossa idade. Dizei-lhes que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo. Com o vosso entusiasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos – todos aparentemente do mesmo nível –, só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura.

Bento XVI, missa no Terreiro do Paço, 2010


A Igreja em Portugal precisa de jovens capazes de dar resposta a Deus que os chama, para voltar a haver famílias cristãs estáveis e fecundas, para voltar a haver consagrados e consagradas que trocam tudo pelo tesouro do Reino de Deus, para voltar a haver sacerdotes imolados com Cristo pelos seus irmãos e irmãs. Temos tantos jovens desocupados e o Reino dos Céus à míngua de operários e servidores… Deus não pode querer isto.

Papa Francisco, discurso aos bispos da Conferência Episcopal Portuguesa, 2015


Os jovens são mais informais e têm o seu próprio ritmo. Temos de deixar que o jovem cresça, temos de o acompanhar, não o deixar sozinho, mas acompanhá-lo. E saber acompanhá-lo com prudência, saber falar no momento oportuno, saber escutar muito. Um jovem é inquieto. Não quer que o incomodem e, nesse sentido, pode-se dizer que “o vestido da primeira comunhão não lhes serve”. As crianças, pelo contrário, quando vão comungar, gostam do vestido da primeira comunhão. É uma ilusão. Os jovens têm outras ilusões que, muitas vezes, são muito boas, mas há que respeitar, porque eles mesmos não se entendem, porque estão a mudar, estão a crescer, estão à procura, não é? Por isso, é preciso deixar o jovem crescer, há que o acompanhar, respeitar e falar-lhe muito paternalmente.

Papa Francisco, entrevista à Renascença, 2015

História da JMJ. O legado de João Paulo II aos jovens
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