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República Centro-Africana. Forças portuguesas controlam Bambari e descrevem clima de violência

11 jan, 2019 - 14:48 • Ana Rodrigues

A cidade foi palco de um ataque de milícias na quinta-feira, onde a violência contra a população tem ganhado contornos dramáticos, revela à Renascença o 2.º comandante da missão da ONU, major-general Marco Serronha.
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Militares portugueses em combate durante cinco horas na República Centro-Africana
Militares portugueses em combate durante cinco horas na República Centro-Africana

A missão das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA), em que participam militares portugueses, já controla a cidade de Bambari, palco de violentos confrontos com grupos armados na quinta-feira.

Segundo o major general Marco Serronha, 2º comandante da MINUSCA, as forças vão manter-se na cidade para garantir a segurança da população.

“Neste momento, a cidade está completamente controlada pela MINUSCA. É evidente que ainda há algumas bolsas da presença de combatentes da UPC, que está neste momento a ser resolvida, mas está completamente sob controlo da MINUSCA”, garante à Renascença.

Para que tal aconteça, os militares “estão a consolidar uma parte do perímetro que ontem foi atingido. A partir de ontem à tarde e à noite, eles atingiram a periferia sul de Bambari”, esclarece, adiantando ser também necessário “consolidar a posição interna” e que, nesse sentido, “dentro da cidade, o batalhão nepalês está também a conduzir operações no sentido de estabilizar a retaguarda”.

Segundo este oficial português ao serviço da MINUSCA, a violência contra a população tem ganhado contornos dramáticos no país e em Bambari, cidade situada a 300 km da capital. Os paraquedistas portugueses têm sido chamados a intervir.

“O que acontece é que as populações estão completamente capturadas sob diversas perspetivas por alguns destes grupos armados – no caso concreto de Bambari pela UPC. Ou seja, os grupos armados exercem violência física, psicológica e económica, porque as pessoas têm que pagar taxas aos combatentes para eles viverem. E quando não pagam matam-nos e matam famílias inteiras e têm as pessoas feitas reféns durante semanas. Um conjunto de atrocidades”, explica.

Do ataque de quinta-feira não saiu qualquer vítima entre os militares portugueses. A garantia foi dada à Renascença o porta-voz do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

O mesmo oficial adiantou que, em fevereiro, o contingente de paraquedistas portugueses vai ser substituído por um de Comandos.

“Têm sido utilizadas tropas especiais do Exército. Os dois primeiros contingentes foram Comandos, o terceiro e o quarto paraquedistas e o quinto, que já está em processo de aprontamento, será de Comandos”, explicou Pedro Coelho Dias.

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