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Relatório descreve cenário inimaginável em campo de refugiados na Grécia

09 jan, 2019 - 19:27

Oxfam considera que o sistema montado pelas autoridades gregas e europeias falha na identificação e proteção das pessoas mais vulneráveis que procuram asilo na Europa
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Centenas de mulheres grávidas ou com bebés, crianças e sobreviventes de tortura são deixados ao abandono em campos sobrelotados nas ilhas da Grécia, alerta um relatório da Oxfam International, divulgado esta quarta-feira.

“A situação em Moria está para lá dos limites da imaginação. Visito o campo desde 2017. Quando pensas que as coisas não podem piorar, elas pioram”, refere uma funcionária do Concelho Grego para os Refugiados, um parceiro da Oxfam.

A organização de defesa dos direitos humanos considera que o sistema montado pelas autoridades gregas e europeias falha na identificação e proteção das pessoas mais vulneráveis que procuram asilo na Europa.

O relatório “Abandonados e Vulneráveis” revela que os problemas começam logo à chegada, com apenas um médico para avaliar os cerca de dois mil migrantes que chegam todos os meses ao campo de Moria, na ilha de Lesbos.

Em novembro, a situação agravou-se e não houve médico para identificar quais os casos mais vulneráveis.

As equipas da Oxfam encontraram casos de mulheres que tiveram alta hospitalar quatro dias após o parto por cesariana e foram viver em tendas com os seus bebés.

Dois terços dos residentes nos campos não se sentem seguros, nomeadamente devido aos confrontos que acontecem com alguma regularidade.

Devido às falhas no sistema de triagem, sobreviventes de abusos sexuais e de outros traumas são enviados para campos como Moria, que tem o dobro da lotação prevista.

“É irresponsável e imprudente não reconhecer as pessoas mais vulneráveis e responder às suas necessidades. Os nossos parceiros encontraram-se com mães a dormir em tendas com os seus bebés recém-nascidos e adolescentes erradamente registados como adultos que estão detidos. Identificar e responder às necessidades destas pessoas é o dever mais básico do Governo grego e dos parceiros europeus”, apela Renata Rendón, chefe da missão da Oxfam na Grécia.

A organização humanitária defende o envio de mais médicos e psicólogos para os campos e a melhoria do sistema de registo dos migrantes.

Considera que as pessoas com possibilidade de requerer asilo devem ser transferidas para a Grécia continental, particularmente os mais vulneráveis.

A Oxfam também pede aos Estados-membros da União Europeia que partilhem com a Grécia a responsabilidade de acolher estas pessoas de uma forma mais justa.

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