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Moçambique. Sete mortos em ataque de grupo armado

06 jan, 2019 - 17:41 • Lusa

Vítimas seguiam numa carrinha. O motorista foi decapitado e as seis mulheres violadas antes de serem assassinados.
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Sete pessoas morreram e outras sete ficaram feridas na sequência de um novo ataque de grupos armados desconhecidos na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, disseram hoje à Lusa fontes locais.

O ataque ocorreu por volta das 07h00 (05h00 em Lisboa) no posto administrativo de Mpundanhar, quando um grupo armado intercetou uma carinha caixa aberta que transportava passageiros numa estrada que liga Palma e Mpundanhar.

Depois de disparar contra a carinha para que o motorista parasse o veículo, o grupo obrigou os passageiros a descerem, para momentos depois atacá-los com recurso a catanas e outros instrumentos contundentes, explicaram diferentes fontes ouvidas hoje pela Lusa.

No total, sete pessoas morreram, entre as quais o motorista do veículo, que foi decapitado no local pelo grupo até agora desconhecido.

Dos sete mortos, seis eram mulheres, que, segundo as fontes, teriam sido violadas antes serem assassinadas.

A Lusa contactou o porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Cabo Delgado, Augusto Guta, que remeteu para segunda-feira uma posição sobre o caso.

Distritos recônditos da província de Cabo Delgado, no extremo nordeste do país, têm sido alvo de ataques de grupos desconhecidos desde outubro de 2017.

A onda de violência naquela zona começou após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia, em outubro de 2017.

Depois de Mocímboa da Praia, têm ocorrido dezenas de ataques que se suspeita estarem relacionados com o mesmo tipo de grupo, sempre longe do asfalto.

Os ataques têm acontecido fora da zona de implantação da fábrica e outras infraestruturas das empresas petrolíferas que vão explorar gás natural, na península de Afungi, distrito de Palma, na região, e cujas obras avançam com normalidade.

De acordo com números oficiais, cerca de 100 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança, morreram desde que a onda de violência começou naquela zona do país.

Na semana passada, o Ministério Público (MP) de Moçambique juntou mais cinco nomes à lista de cerca de 200 pessoas acusadas da autoria dos ataques armados em Cabo Delgado, segundo a acusação, a que a Lusa teve acesso.

Na acusação do MP, que data de 24 de dezembro, o empresário sul-africano Andre Hanekom, de 60 anos, é agora apontado como "financiador, logístico e coordenador dos ataques", cujo objetivo era "criar instabilidade e impedir a exploração de gás natural na província" de Cabo Delgado, a cerca de 2.000 quilómetros a norte de Maputo, no extremo norte de Moçambique, junto à Tanzânia.

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