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Há Natal sem “Jingle Bells”? O Coro da Catedral de Lisboa quer mostrar que sim

03 jan, 2019 - 11:58 • Ângela Roque

Concerto marcado para o Dia de Reis vai dar as boas vindas a 2019 com peças menos conhecidas do público. “Com tanta música que existe, há que sair da zona de conforto”, diz o maestro Luis Filipe Fernandes, que espera “pôr a Sé a cantar” as peças que escolheu.
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“Com certeza que não há Natal sem ‘Jingle bells’, sem ‘Gloria in excelsis Deo’, ‘Noite Feliz’ ou ‘White Christmas’, que são aqueles temas tradicionais, mas temos de começar a sair um bocadinho disso”, diz à Renascença Luis Filipe Fernandes, maestro do Coro da Catedral de Lisboa, para explicar o alinhamento que escolheu para este concerto de Ano Novo. Lamentando que haja “muitos temas bonitos que acabam por não ser conhecidos, porque estamos sempre a cantar a mesma coisa”, diz que quer contrariar essa tendência, porque “com tanta música que existe, há que sair da nossa zona de conforto”.

“As coisas para serem tradição têm que se começar a fazer uma primeira vez, e depois uma segunda e uma terceira. Portanto, nós procuramos sempre outros caminhos musicais diferentes daqueles que são habituais”, explica o maestro.

Criado em 2011, o Coro da Catedral de Lisboa tem cerca de 30 elementos permanentes, oriundos de toda a diocese. Ensaiam ao longo do ano, todo os domingos à noite. “Costumamos dizer que é o dia ‘menos mau’, porque todos prestam serviço nas suas comunidades paroquiais, e este é a altura da semana em que estão menos ocupados”. O que vão apresentar no próximo domingo é o resultado desse trabalho de vários meses. “Sim, é um concerto preparado com muito tempo”.

Ponto alto da programação anual do Coro da Catedral de Lisboa, o concerto de Ano Novo tem nesta edição duas grandes influências. “Como o tema do ano pastoral no Patriarcado de Lisboa é a ‘Liturgia como lugar de encontro’, e como todas as dioceses de Portugal estão a viver um Ano Missionário, procurámos enquadrar o nosso concerto nestas duas balizas”. Mas, o concerto também pretende assinalar alguns aniversários importantes, relacionados com alguns compositores. “Vamos comemorar o 75º aniversário do falecimento de Rachmaninov, e cantar 'Tebe poeme', uma obra dele dedicada a Deus. Vamos interpretar também uma obra de Paul Decha, pelo 90º aniversário do seu nascimento. Trata-se de um compositor francês que se canta muito nas nossas liturgias, é conhecido sobretudo pelos 'aleluias', mas tem outras peças, e nós escolhemos um tema do culto eucarístico para cantarmos neste concerto. E vamos ainda cantar um tema mariano de Joaquim dos Santos, um dos compositores litúrgicos de música portuguesa que se canta muito nas nossas Igrejas, e estamos a assinalar o 10º aniversário do seu falecimento”.

Segundo o maestro vão ser ainda interpretadas “obras de Dietrich Buxtehude, António Cartageno, Handel, Stravinsky, John Rutter, padre Manuel Faria, Marco Frisina, Robert Shaw, Samuel Sebastian Wesley, e William Henry Monk”, num total de 13 composições, num concerto que “começa e termina na Manjedoura de Belém”.

“A nossa primeira peça será um espiritual negro chamado 'Mary had a baby', que é uma música de Natal bonita, de um género musical diferente. As três peças seguintes estão centradas em Deus: 'Oh Lord my God', 'Tebe poeme' and 'The glory of the Lord'. As seguintes, o 'Je suis votre pain', o 'Anima Christi' e o 'Pater Noster', são peças dedicadas a Jesus Cristo, e depois a 9ª e 10ª são peças dedicadas a Nossa Senhora. Pelo meio temos um hino criado por um escocês anglicano, Henry Francis Lyte, que o escreveu quando estava às portas da morte. Normalmente é cantado com a música do hino 'Heaven Died', de William Monk, e é um poema que nos recorda que a nossa vida é uma passagem e uma contínua chamada a sair em missão. A terminar teremos 'Star Carol', do compositor John Rutter, que é uma música que raramente é cantada, mas que é uma música de Natal belíssima”, explica o maestro.

Luis Filipe Fernandes admite que tem sempre uma preocupação didática na forma como pensa e organiza estes concertos, e foi essa preocupação que o fez incluir no concerto deste ano o hino escrito pelo padre Cartageno para o Congresso Missionário que se realizou em Fátima, em 2008. “Nunca mais ouvi esse hino cantado, e este ano, como em todas as dioceses foi proclamado o Ano Missionário, achámos que o devíamos incluir no nosso Concerto. Queremos pôr toda a gente a cantar este hino, tal como a peça final, o 'Star Carol'. Vamos entregar um guião e vamos ver se pomos a Sé toda a cantar”, diz.

A acompanhar os 30 elementos do Coro da Catedral de Lisboa estarão alguns instrumentos. “Pedimos ao padre António Cartageno para realizar os instrumentais, e vamos ter alguns solistas em alguns dos cânticos, como a Alzira Martins Trindade, na flauta, a Andreia Rosa, no clarinete, e a Ana Almeida, no trompete”.

“Esperamos por todos neste domingo da Epifania”, convida o mastro. O concerto está marcado para 6 de janeiro às 17 horas, na Sé de Lisboa, e a entrada é livre.

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