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Bispo do Porto. “Mundo está a tornar-se perigoso” para quem acredita em Jesus Cristo

25 dez, 2018 - 11:58 • Ricardo Vieira

Na homilia de Natal, D. Manuel Linda lamentou “vivência meramente periférica do Natal”, num mundo em que é, cada vez mais, “politicamente incorreto demonstrar fé”.
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O mundo está a tornar-se num local perigoso para quem acredita em Jesus Cristo, alertou esta terça-feira o bispo do Porto, D. Manuel Linda, na homilia de Natal.

Numa celebração realizada na Sé do Porto, o prelado declarou que “tal como nos dias de Herodes, está mesmo a tornar-se um mundo perigoso quer para o Menino, quer para quantos colocam n’Ele a sua esperança”.

D. Manuel Linda critica quem “pretende sepultar a Igreja sob uma laje de silêncio”, num mundo em que é, cada vez mais, “politicamente incorreto demonstrar fé”.

O bispo do Porto deixou exemplos de perseguição: “alguns cristãos são impedidos de chegar a certas funções” e as instituições da Igreja, nomeadamente as assistenciais e educativas, “são menosprezadas, quando não ostracizadas e ‘legalmente» perseguidas’.

“A pretexto da laicidade, parece que os crentes perdem a sua condição de cidadãos e os direitos que daí advêm; um mundo de cinismo que rejeita os grandes valores comprovadamente uteis para a sociedade, só porque vinculados pela Igreja, instaurando a aridez familiar e social e fragmentando a existência.”

“Um mundo que pretende sepultar a Igreja sob uma laje de silêncio, a não ser que qualquer problema forneça o combustível para a sujeitar a longo martírio de ser queimada em fogueiras acendidas por alguma comunicação social; um mundo de dirigentes mundiais que não perde o sono pelo facto de os cristãos serem dizimados no Próximo Oriente, em África e um pouco por toda a terra; enfim, um mundo que parece estar a estabelecer uma equação tão simplória como ameaçadora em termos de futuro: ‘não-cristão igual a realidade a proteger; cristão igual a condenação às feras’”, lamentou.

Na sua primeira homilia de Natal como bispo do Porto, D. Manuel Linda criticou o que disse ser uma “vivência meramente periférica do Natal”.

“De todos os lados, surgem vozes a dizer que o nosso Natal começa a estar sepultado na agitação e na azáfama, no materialismo e no consumismo, numa mentalidade pagã que nem sequer pronuncia o nome de Jesus, o Filho de Deus. Eu não seria tão pessimista. Não obstante, reconheço sinais preocupantes. Particularmente ao nível de uma vivência meramente periférica do Natal, sem lhe atingir o âmago, sem se encantar com a profundidade e ternura do mistério que nos envolve.”

D. Manuel Linda sublinha que o Natal é um “acontecimento complexo”, assente em três grandes pilares: fé, esperança e caridade, de que o mundo atual está em “défice”.

Natal é fé porque supõe a aceitação de Jesus Cristo e, como é esperança, não há lugar para tristeza, angústia ou medo.

“Natal é esperança. Como podemos abandonar-nos à tristeza, à angústia, aos medos, ao desespero, se nos sabemos amados e acompanhados por Deus? Se a salvação está connosco e em nós, como podemos deixar-nos submergir pelas trevas do desânimo, pelo pavor do futuro, pelo cansaço da caminhada? Com Ele e n’Ele, a nossa vida adquire um significado novo: a de saber que a grande meta, é o encontro feliz e venturoso com o Pai”, frisou.

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  • Rute
    25 dez, 2018 Lisboa 14:42
    Acreditar no Pai Natal é mais Pacífico e também é um historinha de fantasia.