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​Estudo. 30% dos adolescentes não gosta da escola e 17,9% dizem-se exaustos

19 dez, 2018 - 09:55 • Redação com Lusa

Inquérito faz um retrato dos jovens do 6.º, do 8.º e do 10.º ano de escolaridade.
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O número de jovens que não gosta da escola triplicou nos últimos 20 anos. Um estudo sobre o estilo de vida dos adolescentes portugueses revela que mais de 80% consideram-se felizes, mas dizem-se exaustos e 39% dormem menos de oito horas por dia.

De acordo com o estudo “Health Behaviour in School-­aged Children (HBSC) 2018”, divulgado esta quarta-feira em Lisboa, 21,8% dos adolescentes afirma que quando tem uma preocupação intensa, esta "não o larga" e "não o deixa ter calma para pensar em mais nada".

Apesar disso, mais de oito em cada dez adolescentes considera-­se feliz.

Quase 28% diz que nunca ou quase nunca sente que as coisas lhe correm como queria, e 26,2% nunca ou quase nunca se sente confiante com a sua capacidade para lidar com problemas pessoais.

Os autores do estudo defendem a importância de, na família, na escola e na comunidade/autarquia, "estarem disponíveis ações com crianças e adolescentes que promovam a gestão e autorregulação das emoções, a resolução de problemas, a autoconfiança.

A maioria considera ser fácil falar com os pais, especialmente com a mãe (85,5%) e um quarto dos jovens confessa ter dificuldades em falar com o pai. De acordo com HBSC, mais de dois terços (68,8%) faz todos os dias refeições com os pais e 34,4% todos os dias toma o pequeno-­almoço com os pais.

Três em cada dez não gostam da escola

De acordo com o estudo, 29,6% dos jovens não gostam da escola, considerando que o pior é "comida do refeitório" (58,3%) e as aulas (35,3%) e o "menos mau" são os intervalos/recreios (8,3%).

A grande maioria (80,3%) dos alunos sente-se sempre ou quase sempre segura na escola, enquanto 13,7% referem que sentem muita pressão com os trabalhos.

Já 85,6% disseram que só faltam às aulas quando estão doentes ou têm algum imprevisto, refere o estudo, indicando ainda que 14,2% dos jovens considera-se, na opinião dos professores, "muito bom aluno" e 51,8% avalia-se como um aluno com pouco ou nenhum sucesso académico.

As dificuldades apontadas na escola são que, às vezes ou sempre, a matéria é demasiada (87,2%), aborrecida (84,9%), difícil (82%) e a avaliação "um stresse" (77%). Mais de metade aponta a pressão dos pais pelas boas notas.

A maioria (54,8%) disse que pretende prosseguir os estudos universitários e cerca de um terço dos alunos do 8.º e 10.º anos tem fracas expectativas face ao seu futuro profissional, ou não sabe.

Nos tempos livres, 56,6% usam o telemóvel, 46,9% ouvem música e 35,7% dormem, em todos os casos várias horas por dia, e 50,7% afirmam que é a "falta de tempo" que os impede de desenvolver mais atividades de lazer.

Metade dos inquiridos disse que raramente ou nunca lê, 80% raramente ou nunca fazem atividades de voluntariado, 65,7% raramente ou nunca frequentam atividades religiosas e 86% raramente ou nunca têm intervenção associativa ou política.

Jovens exaustos

Os resultados mostram que os jovens dizem-se mais exaustos: em 2014 eram 10,3% e em 2018 subiu para 17,9%.

Cerca de metade dos inquiridos falou em problemas em adormecer, sono agitado ou acordar mais cedo ou a meio da noite.

Outro indicador de mal-estar decorre dos 27,6% que se sentem preocupado "todos os dias, várias vezes por dia".

Quando questionados sobre a toma de medicamentos, mais de metade (52,6%) tomou remédios para a dor de cabeça e um quatro para a dor de estômago. Mas muitos tomaram algo para o nervosismo, dificuldades em adormecer e ainda fármacos para aumentar a memória/concentração, assim como remédios para a tristeza.

Lutas, “bullying” e condutas autolesivas

Quase 20% dos alunos inquiridos num estudo disseram ter tido comportamentos autolesivos pelo menos uma vez no último ano, dos quais 58,7% referiram ter-se magoado nos braços.

De acordo com o HBSC, 90% dos adolescentes nunca fizeram “bullying” nos últimos dois meses na escola e 81,2% disseram que nunca foram vítimas deste tipo de provocação, um resultado que "continua a refletir que mais jovens se assumem como vítimas do que como provocadores".

Perto de 95% referiram nunca ter provocado “cyberbullying”, com recurso a tecnologias, e 91,8% disseram nunca terem sido vítimas desta provocação.

O estudo revela também que 72,6% dos adolescentes não estiveram envolvidos em lutas no último ano.

Referem mais frequentemente ter experimentado canábis (4,8%) e solventes/benzinas (3,6%), sendo o LSD e o Ecstasy as substâncias psicotrópicas mais desconhecidas entre os jovens.

44 países participaram

O estudo HBSC, uma iniciativa da investigadora Margarida Gaspar de Matos, da Universidade de Lisboa, e da Equipa Aventura Social, é realizado em colaboração com a Organização Mundial de Saúde e conta com a participação de 44 países. Em Portugal, o primeiro estudo foi realizado em 1998, celebrando agora 20 anos.

Foram aplicados questionários online, em 42 agrupamentos sorteados de escolas do ensino regular de Portugal, num total de 387 turmas, havendo um estudo complementar nos Açores.

A amostra é representativa para os anos de escolaridade em estudo. Em Portugal Continental responderam 6.997 jovens do 6.º, 8.º e 10.º ano, a maioria (51,7%) raparigas, com uma média de idade de 13,73 anos.

O estudo pretende estudar os estilos de vida dos adolescentes em idade escolar nos seus contextos de vida, em áreas como o apoio familiar, escola, amigos, saúde, bem-estar, sono, sexualidade, alimentação, lazer, sedentarismo, consumo de substâncias, violência e migrações.


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  • Victor Palminha
    19 dez, 2018 Massamá 11:59
    Aulas expositivas devem ser acompanhadas pela aprendizagem autonoma, colaborativa, onde os discentes aprendem a aprender, aprendem fazendo. Para çpoupar dinheiro Portugal terminou com as aulas práticas, poupando na compra de materiais e equipamentos, no pessoal ddocente(anterormente as aulas eram ministradas por dois professores devido ao apoio individual e uso de instrumentos/ferramentas/máquina perigosas). Na minha escola organizo os discentes em grupo/empresa, simulando a criação de uma empresa, amga do ambiente e onde os trabalhadores se devem sentir felizes. Os discentes ficam motivadíssimos, aprendem matemática, educação visual, educação tecnológica, treinam a lingua , tornam-se empreendedores, mais autónomos, através da autoavalkiação e da heteroavaliação, sabem criticar , melhorando o discurso e a criatividade. No clube de ciência e tecnologia aplicam os conteúdos mais teóricos através da construção/interação com protótipos solares fotovoltaicos,construidos com componentes reaproveitados de equipamentos eletricos (ex. dum leitor de CD retiram um motor de 6V). Obrigado! a ligação aos projetos INOV, https://www.facebook.com/palminha007/ Nota. Este projeto é apresentado a mais de 50 000 pessoas, está nas gavetas do ministério, mas os politicos não sabem aproveitar7potenciar ese e outros projetos de outras escolas.
  • 19 dez, 2018 11:11
    Senhor freire voce nao dorme"faca queixa ao sindicato do sono! Nao dormir faz mal a saude!