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Centenas de cristãos egípcios protestam assassinato de pai e filho por polícia

13 dez, 2018 - 16:12

Os coptas exigem o fim da discriminação a que são sujeitos e perguntam "onde estão os direitos dos mártires?"

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Centenas de cristãos egípcios participaram, esta quinta-feira, no enterro de dois homens, pai e filho, que foram mortos por um agente da polícia na quarta-feira, depois de uma discussão.

A multidão aproveitou a ocasião para protestar contra a perseguição de que têm sido alvo os coptas, como são conhecidos os cristãos egípcios, às mãos de fundamentalistas islâmicos mas também do Estado, dizem.

“Onde estão os direitos dos mártires”, gritaram os participantes no enterro de Imad Kamal Sadeq, de 49 anos, e do seu filho David, de 21.

O pai e o filho foram assassinados por um agente da polícia que estava a guardar uma igreja próxima da obra em que estavam a trabalhar. O polícia e os cristãos terão discutido antes de ele os matar a tiro.

O arcebispo da diocese de Minya, onde decorreu o assassinato, recorreu às redes sociais para sublinhar o paradoxo de os seus fiéis terem sido mortos por um homem destacado para proteger cristãos. “Pedimos que todos os polícias destacados para guardar igrejas sejam averiguados e que se confirme se estão qualificados para usar munições reais, para que não se tornem uma ameaça em vez de uma proteção”, escreveu arcebispo Macário.

Os coptas compõem cerca de 10% da população total do Egito, sendo de longe, em termos absolutos, a maior comunidade cristã de todo o mundo árabe. Estes cristãos orgulham-se de ser descendentes dos habitantes originais do Egito, precedendo a invasão árabe do VII Século.

Hoje, contudo, são uma minoria perseguida. Desde a primavera árabe que a maior ameaça tem sido os militantes islâmicos que atuam no país, mas há também muitas queixas de discriminação por parte das autoridades.

O polícia responsável pela morte de Imad e David está detido e as autoridades requisitaram as imagens das câmaras de segurança da Igreja onde ele estava colocado para tentar averiguar precisamente o que se passou neste incidente.

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