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Marcelo pede respeito pelo direito à greve, mas espera “ponderação”

08 dez, 2018 - 16:56 • Lusa

"O sucesso dessas greves depende da compreensão que encontram da parte dos portugueses", afirma o Presidente da República.
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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu este sábado que o exercício de direito à greve deve ser "respeitado", esperando que quem recorre ao protesto pondere os efeitos que provoca junto dos portugueses.

"Certamente que na ponderação do exercício de direito à greve aqueles que recorrem a esse direito estão permanentemente a pensar na forma como os portugueses veem a sucessão de greves e, certamente, estão também a pensar no conjunto de portugueses, nalguns casos umas centenas, outros casos uns milhares, que em situações mais ou menos graves podem ser afetados pela greve", disse.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas em Vila Viçosa, no distrito de Évora, após ter assistido à eucaristia da solenidade da Imaculada Conceição e de se ter reunido com familiares das vítimas da tragédia de Borba, mostrou-se confiante que em todo o processo de greve existe ponderação.

"É uma ponderação (sobre as pessoas afetadas pela greve) que eles certamente farão, tendo presente que largamente também o sucesso dessas greves depende da compreensão que encontram da parte dos portugueses, porque as greves são, normalmente em democracia, um exercício a pensar nas entidades patronais e muitas das greves são no setor publico, a entidade patronal é o Estado", acrescentou.

O Presidente da República fez questão de sublinhar que a greve, depois, "acaba por dizer respeito" à vida de muitos portugueses e que quem exerce o "direito democrático" à greve "por um lado pensa" na luta permitida pela democracia e pela Constituição relativamente ao patrão e "depois pensa" nos milhares de portugueses que nas operações e na sua vida diária, nalgumas vezes em "situações criticas", são afetadas pelas greves.

"E pondera isso para perceber o grau de adesão que tem ou não às greves na sociedade portuguesa", concluiu.

Questionado sobre o aumento do salário mínimo nacional e na função pública, o Presidente da República, escusou-se a comentar.

"É uma questão que ainda não estudei, estamos muito em cima das duas decisões tomadas ou comunicadas e em tempo oportuno, se for caso disso, eu prenuncio-me", disse.

Marcelo Rebelo de Sousa confirmou ainda que dia 1 de janeiro vai marcar presença na tomada de posse de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil.

"Entendo que é muito importante para as relações entre os dois países o Presidente de Portugal estar na posse do presidente do Brasil", disse.

Comentários
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  • carinhas
    09 dez, 2018 lisboa 15:42
    Este governo não tem arcaboiço para situações emergentes ,a saúde é uma delas.Os doentes barrados á entrada do bloco por enfermeiros é alegadamente crime pois eles depedem funcionalmente dos médicos e não têm formação para decidir tratamentos ,,prioridades , diagnósticos etc.parecendo sob o ponto de vista alegadamente crime atual e ilícito.O PGR não diz nada ,governo empata,os doentes vao sendo adiados e possivelmente agravar ou morrer.As doenças não param o seu percurso só porque os enfermeiros estão em greve.È IMPERATIVO resolver já os tratamentos cirúrgicos a efetuar e até ´possível vir a demonstrar que estes enfermeiros pagos durante a greve são dispensáveis.Como nos ditos incêndios,tancos e borba a inação é a acçao.
  • Filipe
    09 dez, 2018 évora 00:20
    Na Balança da Vida o Direito à Greve fica em cima e o Direito à Saúde pesa mais , fica em baixo , o prato pende para esse lado , percebeu ? Faz lembrar aquilo ... Greves à muitas , vidas ? Só uma !
  • Era tão bom
    08 dez, 2018 Não era? 21:37
    Se calhar é preciso seguir a ideia do direitolas passista João Miguel Tavares, e proibir os funcionários públicos de fazerem greve ...
  • Laura
    08 dez, 2018 lisboa 18:23
    Muito bem direito á greve tem que ser respeitado mas as suas consequências devem ser quantificadas e divulgadas no dia.Consequencias económicas imediatas e a longo prazo.Na saúde adiamentos listados e seguidos durante 2 a 5 anos.O governo já deveria ter enviado os doentes possíveis para outros hospitais públicos,privados e até para outros países. Protocolos com outros hospitais já vai tarde, os médicos poderiam inclusive ser deslocados para hospitais onde tais operações seriam possíveis.Esta inação lesa irreversivelmente os direitos á saúde e penaliza a confiança no ESTADO.Se fossem treinadores de uma equipa de futebol já teriam sido despedidos.Os hospitais militares de campanha não podem ser uma saída?Está em causa a VIDA e a SAUDE logo estado de emergência é necessário.Nós doentes e família estamos fartos.
  • Cidadao
    08 dez, 2018 Lisboa 18:10
    Para haver a carrada de greves que está a haver e com ameaça de piorar, alguma coisa há. E o sector privado só não faz grevve porque não estão organizados, nem sindicalizados e preferem defender o empregozeco miseravel, a lutar. Vejam se os estivadores de setubal não obrigaram o patronato a negociar, quando a greve começou a pesar nos lucros. Agora Quem não pensa nos portugueses não são os grevistas que nem pedem grande coisa - de facto a maior parte das reivindicações ainda é a contratação de mais pessoal para que um trabalhador não tenha de fazer o trabalho de 3, por um salário irrisório que é o mesmo há 10 anos - é o governo, quando faz um simulacro arrogante de negociação que na realidade é negociar nada, e depois tenta virar a população contra os grevistas. E parece que o Marcelinho dos afectos está a ir na cantiga.