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Cristãos perseguidos. Santa Sé critica “interpretação seletiva” dos direitos humanos

08 dez, 2018 - 12:29 • Ecclesia

Mensagem foi transmitida durante um conselho de ministros da OSCE, em Milão.
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O secretário do Vaticano para as Relações com os Estados deixou na sexta-feira em Milão uma mensagem dura contra a inoperância internacional perante o terrorismo e os extremismos religiosos, durante um conselho de ministros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

Na sua intervenção, publicada pela sala de imprensa da Santa Sé, o arcebispo inglês Paul Gallaguer frisou que “toda e qualquer política deve estar centrada nas pessoas” e “ignorar mesmo que seja só um direito humano” tem de ser completamente “inaceitável”.

Aqui o representante da Santa Sé recordou a situação dos cristãos que continuam a ser alvo de “sentimentos e manifestações de intolerância e de discriminação”, perante a passividade de muitos Estados, naquilo que o Papa Francisco já apelidou como uma “interpretação redutora da liberdade religiosa e de crença”.

“Se nós pretendemos de facto uma política mais ampla de prevenção e de combate à intolerância e à discriminação, temos de rejeitar esta interpretação seletiva e dar a atenção devida a estas manifestações de intolerância e perseguição”, frisou o arcebispo Paul Gallaguer.

Para o secretário do Vaticano para as Relações com os outros Estados, é como se existisse uma “hierarquia para os direitos humanos”, onde os atentados à liberdade religiosa são vistos muitas vezes como “o último preconceito aceitável, em muitas sociedades”.

Uma conceção que “procura reduzir a religião para a silenciosa obscuridade da consciência individual, ou relegá-la para o ambiente fechado das igrejas, sinagogas e mesquitas, revelando não apenas uma compreensão falhada do verdadeiro significado da liberdade religiosa, mas também do verdadeiro papel da religião na sociedade”, salientou o mesmo responsável.

O secretário do Vaticano para as Relações com os outros Estados concluiu a sua intervenção com um desafio a todos os Estados com assento na OSCE.

Paul Gallaguer exortou-os a “reconhecerem que a única conceção significativa da dimensão humana é aquela que busca um entendimento comum dos direitos humanos universais e das liberdades fundamentais, bem como a sua proteção e promoção”.

O arcebispo britânico declarou ainda que “a Santa Sé continua empenhada em apoiar a OSCE na resolução de conflitos e na prevenção de ameaças transnacionais”, como “o terrorismo e a violência extremista”, mas também fenómenos como “o tráfico de seres humanos”, a “violência contra as mulheres” e “as consequências humanas resultantes de conflitos”.

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