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River Plate-Boca Juniors

Libertadores em Madrid: "Desilusão" e "fim da magia"

06 dez, 2018 - 21:40

O "Superclássico" do futebol argentino entre Boca Juniors e River Plate viajou até Espanha para a segunda mão da final da Taça Libertadores, que se vai realizar no Estádio Santiago Bernabéu após os conflitos que decorreram nas imediações do Estádio Monumental. Bola Branca foi perceber como está a ser vivida esta partida "atípica", a 10 mil quilómetros de distância de Buenos Aires.
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É só futebol, mas é muito mais do que futebol. A segunda mão da Taça Libertadores joga-se este domingo. Em Espanha. No Estádio Santiago Bernabéu. Bola Branca foi perceber como está a ser vivido o "Superclássico" argentino mais importante da história do River Plate e Boca Juniors, que será disputado a mais de 10 mil quilómetros de Buenos Aires.

Para além de ser o primeiro duelo entre os dois eternos rivais na final de uma Taça Libertadores, é também a despedida do atual modelo da competição, com a final a ser disputada a duas mãos.

Depois de uma primeira mão onde todo o mundo observou o espetáculo nas bancadas da Bombonera e também no relvado, que terminou com um empate a duas bolas, a final ficou "manchada" com os confrontos no dia da segunda mão.

Vários jogadores do Boca ficaram feridos à chegada ao Monumental de Nuñez ao serem sido atingidos por vidros ou devido ao uso de gás lacrimogéneo por parte da polícia. Alguns jogadores tiveram mesmo de receber assistência médica. Pablo Pérez, capitão de equipa, regressou ao estádio com uma pala a proteger o olho esquerdo.

Depois de sucessivas tentativas de realização da partida, a CONMEBOL decidiu retirar a final do continente sul-americano. Depois de várias opções rejeitadas, a confederação anunciou que a final se disputaria no Estádio Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid.

Para além dos conflitos, final em Espanha "mancha" a Libertadores

Bola Branca esteve à conversa com Federico del Río, jornalista argentino do diário desportivo "Olé" e correspondente do jornal "O Jogo" em Buenos Aires, que fala em "desilusão" na decisão da realização do "Superclássico" em Madrid:

"Os adeptos do River e do Boca estão naturalmente desiludidos. O jogo perdeu muita da sua magia, porque é estranho que a decisão da Libertadores se defina noutro continente, na Europa. Perdeu-se todo o encanto que os adeptos do River tinham em bater o Boca no seu estádio ou os do Boca em ver a sua equipa silenciar o Monumental e dar a volta olímpica ao relvado".

"Para o desporto argentino é uma perda enorme. Era a final mais argentina que poderia haver na Libertadores e a mudança de local é uma dor enorme. Aqui, em Buenos Aires, agora, está tudo bem mais calmo, porque aos adeptos não lhes resta outra alternativa que não assistir ao classico pela televisão. Sem dúvida que há uma mancha sobre esta Libertadores. Seria algo histórico, para entrar para as páginas mais briosas do futebol argentino mas ficará para sempre como uma página negra", adicionou.

Os dois clubes chegaram a manifestar-se contra a decisão da confederação em jogar a final em Madrid. A verdade é que, à partida, o jogo será mesmo disputado em solo espanhol:

"É certo que o Boca não poderia jogar nos dias imediatamente a seguir ao que se passou mas, no sábado seguinte, já poderiam ter jogado no Monumental, porque os jogadores do Boca já estavam recuperados dos ferimentos que sofreram e do trauma. O problema foi fora do estádio, não foi lá dentro. River e Boca poderiam ter jogado em Buenos Aires em igualdade de condições. Lamentavelmente, optou-se por outra solução".

"Não se tem visto em Buenos Aires, nestes últimos dias, a ansiedade, a vontade e a emoção que havia antes do jogo da segunda mão. Estranhamente, os jogadores do Boca Juniors já falaram sobre tudo isto e disseram que queriam jogar no Monumental, depois de o Boca ter exigido ser coroado vencedor da Libertadores na secretaria pelos incidentes", remata Federico.

E em Madrid, como se vive a "invasão" argentina?

Bola Branca foi ainda perceber como se vive o dérbi na capital espanhola. Javier de Diego, jornalista da Rádio Nacional de Espanha, fala em "tranquilidade" na véspera do clássico e numa cidade preparada para receber jogos deste calibre:

"O ambiente que se sente é de tranquilidade. Há que ter em conta que Madrid é uma cidade que está habituada a receber grandes eventos desportivos, não só de futebol, como de outros desportos. Há dois clubes grandes, o Real Madrid e o Atlético de Madrid e que recebem nos seus estádios outros grandes clubes".

Javier acredita que a capital espanhola está "preparada" para receber eventos desportivos de grande escala. "Madrid já recebeu campeonatos do Mundo, está previsto um grande contingente policial, que não será maior do que quando se realiza o Real Madrid-Atlético. A segurança está garantida", assume, sem reservas.

Para além do contingente policial preparado para receber os adeptos do River e Boca, Javier recorda que os adeptos "mais radicais" dos "hinchas" argentinos não viajaram para Espanha.

"Sabemos que o momento é de tensão entre os adeptos das duas equipas, mas os elementos mais radicais não puderam viajar para Espanha, por medidas de segurança. Desse ponto de vista há tranquilidade, e espera-se que tudo corra bem e que as claques apoiem apenas as suas equipas, como deve ser, mas ser acontecer qualquer conflito".

Independentemente do vencedor, certeza há uma: este será o "Superclássico" mais importante e mais atípico da história do River Plate e Boca Juniors. A final está marcada para domingo, às 19h30, no Estádio Santiago Bernabéu.

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