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Viseu

O que (não) fazer às obras que precisam de restauro urgente? Esta exposição ensina

04 dez, 2018 - 15:22 • Liliana Carona

Cinco peças indevidamente restauradas estão agora expostas numa espécie de aula didática que mostra o antes e o depois das obras de arte.
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O ano de 2012 foi marcado pela notícia que correu mundo de uma espanhola de 80 anos que decidiu restaurar uma pintura do século XIX por conta própria, no caso o mural "Ecce Homo" numa Igreja de Borja. Apesar de boa, a intenção foi mal sucedida e a pintura acabou por ter de ser novamente restaurada.

Fátima Eusébio, coordenadora do Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu, também tem maus exemplos de restaurações para mostrar, alguns deles agora devidamente recuperados e em exposição.

“A escultura de Santa Bárbara estava muito oxidada e com muita sujidade e quando se começou a fazer a limpeza da peça, começou a reparar-se que tinha massas coladas. E tivemos que retirar essas massas e fazer as partes em falta, em madeira, além de recuperar a sua policromia”, explica a responsável à Renascença.

O antes e o depois da escultura de Santa Bárbara da paróquia de Couto do Mosteiro junta-se a outros exemplos, numa exposição que é também uma aula lecionada por Fátima Eusébio.

Quem vem aqui tem uma pequena aula do que deve ser a intervenção de restauro nas peças", explica. "Tenho a preocupação de colocar o antes e o depois, porque só aí se pode se pode ter noção do que é uma boa ou uma má intervenção."

A iniciativa resultou de uma campanha para encontrar mecenas que quisessem financiar o restauro de algumas peças de arte. “Eu lancei a campanha no dia 22 de abril e imediatamente arranjei logo mecenas, empresas que revelam preocupação com a cultura numa vertente por vezes esquecida”, sublinha Fátima Eusébio.

Em caso de dúvida, todas as obras devem ser orientadas para o departamento dos bens culturais da diocese de Viseu, sem qualquer custo adicional, para que o departamento oriente as intervenções a executar.

Além da escultura de Santa Bárbara, há ainda outras quatro peças para ver: um calvário que pertence a uma capela de Queirã; uma escultura de Santa Maria de finais do séc. XV, de Farminhão; candelabros de talha dourada do séc. XVIII, da Igreja de Ordem Terceira do Carmo; e o S. João Batista da paróquia de S. João de Areias.

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