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Domingos Soares de Oliveira

Tesouraria do Benfica sólida. "Haverá crescimento de receitas da UEFA e muito menor dependência de vendas"

30 nov, 2018 - 19:01 • José Pedro Pinto

SAD encarnada lucrou mais de 20 milhões em 2017/18. "Homem forte" das finanças aborda saúde económica das águias, impacto da Champions, estratégia para durar da aposta na formação e ainda o empréstimo obrigacionista com "sucesso relativo" do rival Sporting.
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Mais de 20 milhões de euros de lucro na temporada de 2017/18 leva o administrador financeiro da SAD do Benfica a rotular o exercício de "positivo", sendo que o mesmo deixa o universo encarnado "francamente satisfeito".

Os acionistas da sociedade que gere o futebol profissional das águias discutem e votam, esta sexta-feira, o relatório e contas relativo à época passada, marcada pelo fracasso dos principais objetivos desportivos - campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga dos Campeões, prova na qual os encarnados "caíram" logo na fase de grupos, sem qualquer triunfo - mas o ano foi "bastante razoável".

"Foi um ano positivo. Tivemos, pelo quinto ano consecutivo, lucros e o segundo melhor resultado da nossa história. Foi um ano bastante razoável ao nível das receitas. A tendência é positiva e até do ponto de vista da redução do passivo. Estamos francamente satisfeitos com o resultado alcançado", afirmou Domingos Soares de Oliveira, "homem forte" das finanças do Benfica, após um "briefing" com jornalistas.

Ainda assim, a quebra de mais de 50% nos lucros face ao período homólogo de 2016/17 explica-se precisamente pela péssima prestação na Champions. E este ano, como estão as contas nesse particular?

"Tivemos duas pré-eliminatórias, o que nos permitiu ter uma receita adicional de bilhética, com dois jogos em casa. E há ainda o facto de os prémios da UEFA terem crescido significativamente na Champions. Independentemente do caminho na Liga Europa, vamos crescer em termos de receitas com prémios da UEFA", projeta Soares de Oliveira, dias depois da confirmação de que, pela segunda época consecutiva, o Benfica não passa da fase de grupos da Liga Milionária.

Se na presente temporada, desde já marcada pela instabilidade quanto à continuidade de Rui Vitória no comando técnico da equipa, a qualificação para a Champions não se efetivar, haverá necessidade de compensar a ausência de receita da UEFA com outros itens.

"Arrancámos para a Liga dos Campeões com uma receita garantida superior a 40 milhões de euros. Se por uma eventualidade não estivermos na Champions do próximo ano, isso obrigaria a ir buscar a receita a outro lado ou então a diminuir os gastos que temos. Impacto terá. A variável mais fácil de mexer é a dos jogadores mas não é um cenário que estejamos sequer desde já a considerar, porque estamos em novembro e a época acaba em junho", recorda, sublinhando ainda a importância de uma "excelente campanha" das águias na Liga Europa para que não haja repercussões negativas no "ranking" da UEFA, que determina o "bónus" de entrada na fase de grupos da Champions.

"Uma excelente campanha europeia permitir-nos-à recuperar lugares do ponto de vista de 'ranking', uma má campanha europeia não nos permitirá isso. A recuperação do 'ranking' é importante do ponto de vista de acesso a mais receitas, no modelo da Liga dos Campeões", enfatiza.

Ano "zero" do ataque conservador ao mercado e da aposta na formação

"É uma estratégia para seguir". O avanço contido, marcado pelo sentido de oportunidade, na contratação de reforços, conjugada com a manutenção dos principais ativos e na exploração dos produtos da formação entrou, em 2017/18, em velocidade-cruzeiro.

"Este foi o primeiro ano em que a estratégia foi mais conservadora. Era preciso reforçar o plantel mas não veio apenas pela via das aquisições mas também pela manutenção dos principais ativos. É uma estratégia para seguir", promete Domingos Soares de Oliveira.

O tema é recorrente e a resposta, essa parece condizente com o contexto atual: a reação aos ataques do mercado de janeiro será feito com uma tesouraria "sólida" e reforçada com "segurança". No capítulo das vendas, a "dependência" das mesmas a meio de uma época continua a ser gradualmente reduzida.

"O Benfica tem uma muito menor dependência da venda de jogadores. Mas todos os clubes o fazem e nós também o iremos fazer. Mas não o faremos por equilíbrio de contas e sim pela questão da oportunidade. Olhamos para o mercado de janeiro e próximos mercados com muita segurança", salienta.

A "boa notícia" do sucesso do empréstimo do Sporting e ainda o "naming"

O Benfica tem vindo a compensar o "divórcio" natural com os bancos com empréstimos obrigacionistas, um caminho que tem vindo a ser seguido pelas sociedades desportivas do futebol nacional.

Recentemente, o Sporting finalizou, em tempo recorde e, na leitura de Soares de Oliveira, um empréstimo com "sucesso relativo" que não deixou de agradar aos responsáveis encarnados.

"Existem diretivas para que os bancos trabalhem menos ou não trabalhem com o futebol. Isso não depende apenas dos bancos mas também das SAD's, no sentido de demonstrarem disciplina financeira, como temos demonstrado. O sucesso relativo do empréstimo obrigacionista do Sporting foi para todos nós uma boa notícia. A última coisa que queremos é que os investidores se assustem com o produto proposto pelas SAD's. Independentemente da nossa rivalidade, o relativo sucesso do empréstimo obrigacionista do Sporting é uma boa notícia para todos", argumenta.

Finalmente, a questão do "naming" para o Estádio da Luz, "dossier" que está em cima da mesa e com projeção de resolução a curto-prazo.

"Não abandonámos a ideia do 'naming'. Temos propostas em fase de discussão. Tenho a certeza que vamos concretizar esse 'naming' e espero que dentro de pouco tempo", conclui.

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