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Holanda

700 horas e a contar. Há uma maratona religiosa em curso para evitar deportação de família

30 nov, 2018 - 16:22

O Governo holandês quer deportar os Tamrazyan para a Arménia, mas a lei impede a interrupção de serviços religiosos.
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O serviço religioso na Igreja Bethel, na Holanda, começou às 13h30 do dia 26 de outubro. Cinco semanas depois, volvidas mais de 700 horas, ainda decorre.

Dezenas de pastores evangélicos e clérigos de outras confissões religiosas têm-se revezado na Igreja, numa colaboração verdadeiramente ecuménica, para tentar impedir a deportação de uma família para a Arménia.

Os Tamrazyan estão na Holanda há oito anos e inicialmente foi-lhes concedido asilo político. Alegam que as atividades políticas do pai de família tornam perigoso o seu regresso ao país de origem. O Governo holandês, contudo, recorreu três vezes da decisão até que um tribunal ordenou a repatriação da família, composta pelo casal e três filhos, com 21, 19 e 14 anos.

A família arménia procurou ajuda e recebeu-a de uma igreja local. Uma vez que a lei impede as autoridades de interromperem ou perturbarem celebrações religiosas, salvo em situações excecionais, a solução passou por garantir que, enquanto a família lá estiver, estará sempre a decorrer uma celebração.

Inicialmente foi difícil garantir a rotatividade com apenas alguns clérigos, mas à medida que a história se foi tornando mais conhecida centenas de outros ministros, pastores e padres, de diferentes denominações, têm-se oferecido para colaborar. O resultado é que a celebração contínua decorre já há cinco semanas e não mostra sinais de abrandamento.

“Já temos mais de 450 padres, pastores, diáconos e anciãos de todo o país e de todas as denominações, a querer entrar para a escala rotativa neste serviço”, disse ao “New York Times” o pastor da Igreja de Bethel. “Até temos tido ajuda do estrangeiro – houve homilias em inglês, francês e alemão. Tem sido muito emocionante para nós ver às vezes um pastor a passar a pasta a outro de uma denominação com a qual normalmente não teria qualquer relação, do ponto de vista litúrgico”, concluiu Alex Wicke.

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