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Trabalho conjunto permite pressentir a comunhão, diz Papa a líder ortodoxo

30 nov, 2018 - 12:59

A mensagem do Papa Francisco, que apela à união, surge numa altura em que a Igreja Ortodoxa sofre de divisões internas, devido ao reconhecimento da autonomia da Igreja Ortodoxa da Ucrânia.
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O Papa Francisco enviou esta sexta-feira uma saudação ao patriarca Bartolomeu, de Constantinopla, por ocasião do dia de Santo André, padroeiro daquela Igreja.

Francisco sublinha o facto de as relações entre católicos e ortodoxos ter melhorado tanto ao longo das últimas décadas, e diz que o trabalho levado a cabo em conjunto, por missões comuns, permite pressentir a comunhão plena.

“Apesar de séculos de incompreensão mútua, diferenças e silêncio tenham posto em causa esta relação, o Espírito Santo, Espírito de unidade, permitiu-nos recomeçar um diálogo fraterno”, diz Francisco.

“Ambas as Igrejas, com um sentido de responsabilidade para com o mundo, sentiram aquele apelo urgente que envolve cada um de nós que foi batizado a proclamar o Evangelho a todos os homens e mulheres. Por esta razão podemos trabalhar hoje em busca da paz entre os povos, pela abolição de todas as formas de escravatura, pelo respeito e dignidade de cada ser humano e pelo cuidado com a criação”, afirma o Papa.

“Com a ajuda de Deus, através do encontro e do diálogo na nossa caminhada conjunta dos últimos cinquenta anos, podemos já experimentar estar em comunhão, embora esta ainda não seja plena e completa”.

O trabalho rumo à comunhão plena deve continuar, diz o Papa, para que os cristãos possam dar melhor resposta às necessidades de “tantos homens e mulheres do nosso tempo, sobretudo os que sofrem de pobreza, fome, doença e guerra”.

Desunião interna

A mensagem do Papa Francisco é dirigida ao Patriarca de Constantinopla, que reside em Istambul e é considerado o primeiro entre iguais dos líderes ortodoxos. O Patriarca goza de excelentes relações com Roma, já desde o pontificado de João Paulo II e esteve presente na inauguração do pontificado de Francisco. Os dois já se encontraram mais do que uma vez desde essa altura.

Mas a situação interna da Igreja Ortodoxa está a passar por momentos de grande tensão e divisão. Em causa está o reconhecimento da autonomia, ou autocefalia, da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, que até agora tem estado sob o domínio da Igreja Ortodoxa de Moscovo.

Depois de anos de conflito diplomático, Bartolomeu decidiu atribuir autocefalia, mas Moscovo não gostou e já cortou relações com o Patriarcado de Constantinopla. A situação está a agravar o clima de tensão já existente entre Kiev e Moscovo, que estão em guerra no Leste da Ucrânia.

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