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“Faz todo o sentido” a Igreja estar nas Forças Armadas

23 nov, 2018 - 11:39 • Ângela Roque

A dois dias de ser ordenado bispo, o novo responsável pela diocese castrense veio à manhã da Renascença falar sobre a nova missão que o espera, e garante que será “sempre missionário”.

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Rui Valério, de 53 anos, é missionário monfortino e o primeiro padre desta congregação a chegar a bispo. Natural de Urqueira, em Ourém, servia a diocese de Lisboa como pároco na Póvoa de Santo Adrião, quando em outubro foi escolhido pelo Papa Francisco para ser o novo responsável pela diocese das Forças Armadas e de Segurança. A cerimónia de ordenação está marcada para o próximo domingo, 25 de novembro. Esta sexta-feira foi convidado do programa da manhã da Renascença, para falar das novas funções que o esperam, e garantiu que será “sempre missionário”.

“Ser missionário é qualquer coisa que todo o cristão é chamado a ser, independentemente da sua profissão. Somos missionários por natureza. Mesmo que seja sentado a uma secretária a assinar papéis, sou missionário”, garantiu, acrescentando que “tudo é ocasião para nos sentirmos enviados, e a realizar uma obra que não está a ser feita em nosso nome. Um missionário é isso mesmo, um enviado”, que tem no horizonte “o bem do outro, o bem da pessoa, o bem do ser humano. Quer seja padre, leigo, religioso ou, bispo, ser missionário é uma coisa transversal, é uma coisa que diz respeito a todo o cristão batizado”.

Para o novo bispo, apesar de vivermos hoje em tempos de paz, e do serviço militar já não ser obrigatório, faz todo o sentido a Igreja ter um bispo das Forças Armadas e de Segurança. “O bispo, como o Papa Francisco o quer, é um homem de proximidade. Seja em tempo de paz, seja em tempo de mais turbulência, seja em tempo de bonança, seja em tempo de tempestade, a proximidade é um valor que nos identifica como seres humanos. E se o bispo chama a si, de certa forma, essa dimensão, essa vocação, essa missão do ser humano, então faz sentido ele estar nas Forças Armadas”, garantiu.

“O ser humano, pela sua natureza, precisa de proximidade, um rasgo de horizontes, que defina e dê esperança ao presente. Uma palavra em que a pessoa é capaz de ser construtora de pontes, não é por acaso que o bispo de Roma se chama pontífice, na medida em que é um construtor de pontes”, acrescentou ainda o novo responsável pela diocese castrense.

Antigo capelão na Marinha, Rui Valério partilhou um dos momentos que mais o marcou e que prova a importância da assistência religiosa que é dada no meio militar. “Na escola naval havia as viagens de instrução em que uma turma era colocada a bordo de um navio. Eu acompanhei uma turma de cadetes em viagem de instrução. A embarcação andava há um ano no mar sem vir a terra, o que trazia muita tensão àqueles homens e mulheres”. Muitos deles, contou, “tinham crianças pequenas, e para quem está em mar é difícil gerir estas situações. Improvisámos uma sala dentro do navio, onde me concentrava todos os dias para acolher estes militares onde eles se abriam e contavam ao capelão aspetos da sua vida que não diziam a mais ninguém”.

A ordenação do novo Bispo das Forças Armadas e de Segurança está marcada para domingo, nos Jerónimos, numa cerimónia em que D. Daniel Henriques será também ordenado novo bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa.

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