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Com divergências ou sem elas, Carlos César diz que vai até ao fim da legislatura

21 nov, 2018 - 18:45 • Susana Madureira Martins

A dias das jornadas parlamentares do PS no Algarve, Carlos César garante que as relações com o primeiro-ministro estão cada vez melhores, apesar das divergências sobre o IVA das touradas.
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Carlos César e António Costa irão estar juntos e cara a cara, no sábado, na abertura das jornadas parlamentares do PS, em Portimão. Questionado esta quarta-feira sobre o real estado das relações com o secretário-geral do partido, o líder parlamentar e presidente socialista responde que "quanto mais anos passam melhor é essa relação".

Perante a insistência se essas boas relações se mantêm mesmo nesta fase final da legislatura, Carlos César garante que isso é "claro, ainda mais".

O líder da bancada do PS falava na antecipação das jornadas aos jornalistas parlamentares. Questionado pela Renascença sobre se pretende levar o seu mandato até ao fim da legislatura tendo em conta as divergências com o primeiro ministro, nomeadamente sobre o IVA das touradas, Carlos César mostrou-se surpreso e respondeu que aqui está e "para ficar, claro",

O líder parlamentar desabafou que "a pergunta é muito criativa" e que não lhe ocorreu "semelhante coisa".

Nestas jornadas parlamentares no Algarve, o PS não conta com a participação de qualquer ministro. Carlos César desvaloriza esse facto, tendo em conta "a sessão de abertura com a presença do primeiro-ministro", acrescentando que, assim, os deputados terão" o melhor dos ministros", ou seja, o próprio António Costa.

Em resposta a esta questão, César diz ainda que se trata aqui de jornadas parlamentares e que o PS não vai "fazer um conselho de ministros", dando ainda o remoque que, "enquanto for presidente do grupo parlamentar, é de parlamentares" que trata.

Propostas de alteração ao Orçamento? "São milhares de milhões de euros"

Para os socialistas, há uma preocupação em linha com a do próprio ministro das Finanças: as quase mil propostas de alteração ao Orçamento do Estado.

Carlos César admite essa preocupação em relação a muitas das votações que decorrerão na especialidade já na próxima semana.

O líder parlamentar do PS considera mesmo "inverosímil que se conheça o desfecho de todas as propostas", portanto sim, o partido apela a que "todos os partidos, em particular os que apoiam o Governo, assumam todas as responsabilidades, é preciso que haja racionalidade".

Feitas as contas essas propostas de alteração resultam em "milhares de milhões de euros de despesa", com Carlos César a avisar que, "naturalmente, não seria possível aprovar essas propostas com o mínimo de sentido de responsabilidade e racionalidade"

Questionado sobre as propostas de alteração em concreto sobre a contagem do tempo de serviço dos professores, o líder da bancada do PS admitiu que essas "são propostas que acarretam uma despesa que não parece à partida comportável com a receita estimada", recordando que a bancada que lidera "não tem nenhuma proposta de alteração, o que significa que aprova o que o governo tem planeado para essa área".

Quanto à aprovação do Orçamento do Estado para 2019, Carlos César não tem dúvidas em dizer que acredita "e muito na aprovação final global" do diploma do Governo.

Os futuros orçamentos do Estado serão, aliás, tema destas jornadas no Algarve, com Carlos César a manter a fasquia alta, considerando que "é diferente a tarefa de um ministro das Finanças em 2020 quando estiver a fazer, pela primeira vez, um orçamento com superavit ou pelo menos um orçamento equilibrado". Ou seja, o líder parlamentar socialista antevê o cenário de que daqui a dois anos o país já possa ter uma situação de superavit.

"A tarefa está facilitada por um lado, mas é exigente do ponto de vista das escolhas para que esse caminho seja consolidado e para que o país possa entrar num novo ciclo orçamental, económico e social", resume César, prevendo 2020 como "um ano de equilíbrio orçamental", sendo "evidente que quando se fazem análises da economia" é preciso "ter em conta a ocorrência de fatores de natureza extraordinária ou imprevistos".

Algarve está bom, mas César quer ainda melhor

Nestas jornadas parlamentares os deputados do PS vão visitar 16 concelhos do Algarve, uma região que "há pelo menos três anos cresce acima da média nacional e europeia, tem a menor taxa de desemprego, a maior taxa de emprego", mas é também, segundo Carlos César, "uma região que tem problemas, insuficiências, que tem bloqueios", sendo por isso "muito importante" para os socialistas ter a "atenção centrada no que ainda falta fazer".

O líder da bancada parlamentar e presidente do PS alerta que "o país tem muito sucesso, mas é importante que aqueles que apoiam o governo se sintam inconformados com os níveis" que vão sendo alcançados", e que os socialistas não o conseguirem fazer estarão "justamente a recuar".

As jornadas parlamentares do PS vão decorrer entre esta sexta-feira e domingo. No sábado a abertura será feita pelo secretário-geral do partido, António Costa, que não intervém como é habitual no encerramento devido ao Conselho Europeu, em Bruxelas.

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