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Alertar para perigos do crescimento do fascismo “não é exagero, é obrigação"

10 nov, 2018 - 00:03

Marisa Matias refere que "a legitimação e a naturalização destas propostas foi feita muitas vezes com a cumplicidade das principais forças políticas europeias que, não só lhes deram muito gás, como garantiram a legitimidade de que precisavam".
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A eurodeputada Marisa Matias, do Bloco de Esquerda (BE), defende que "alertar para os perigos do crescimento do fascismo não é um exagero, é uma obrigação", considerando que "o grande centro, por culpa própria, está a esvaziar-se".

Na sessão internacionalista intitulada "Bella Ciao", que esta sexta-feira à noite decorreu em Lisboa - e que antecede a XI Convenção do BE de sábado e domingo -, Marisa Matias foi a última a discursar, depois dos fundadores do BE Luís Fazenda e Fernando Rosas e de Eleonora Forenza (eurodeputada da Refundação Comunista) e Erasmo Palazzotto (deputado da Esquerda Italiana).

"Alertar para os perigos do crescimento do fascismo não é um exagero, é uma obrigação. A obrigação histórica de quem não quer cometer os erros do passado, a memória e a solidariedade para resistir ao invasor que chegou com pezinhos de lá e hoje já usa botas cardadas em tantos países europeus", disse.

Na opinião da eurodeputada do BE, "a legitimação e a naturalização destas propostas foi feita muitas vezes com a cumplicidade das principais forças políticas europeias que, não só lhes deram muito gás, como garantiram a legitimidade de que precisavam".

"O grande centro, por culpa própria, está a esvaziar-se e é a nossa obrigação, é o nosso dever ocuparmos os espaços vazios", avisou.

Na opinião de Marisa Matias, a esquerda que o BE integra "é a esquerda que vive bem com a diversidade, que sabe que a unidade na ação e na diversidade é o caminho para uma verdadeira transformação social".

"Nós não somos cúmplices da entrega do espaço político ao racismo e à xenofobia e o preço a pagar por essa cumplicidade é o da própria humanidade", advertiu.

A extrema-direita, prosseguiu a eurodeputada do BE, "começou a reentrar timidamente no espaço político no final do século passado e está agora no início deste século em clara fase ascendente".

Marisa Matias recordou que Erasmo Palazzotto, mesmo antes de chegar a Lisboa, estava no mar Mediterrâneo, num barco que a "Sinistra Italiana comprou, em substituição do próprio Estado italiano".

"Um barco que precisa, aliás, da nossa ajuda para ser pago, para funcionar e nós vamos ajudar porque nós somos solidários", garantiu, perante os aplausos dos presentes.

Este é único barco que opera naquele mar com bandeira europeia, destacou a bloquista, enaltecendo que os membros do partido italiano, "mesmo não sabendo muito bem como vão pagar o barco, sabem que há um valor muito superior ao da dívida que é o valor da vida humana".

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