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Crianças e jovens em risco vão ter aulas de surf e contactar com mar em Gaia

09 nov, 2018 - 19:24

O projeto chama-se "Wave by Wave", é apoiado pela Fundação Gulbenkian.
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Crianças e jovens em risco do concelho de Vila Nova de Gaia vão ter a partir do verão do próximo ano aulas de surf, num projeto que tem como objetivo estimular a confiança dos participantes.

O projeto chama-se "Wave by Wave", é apoiado pela Fundação Gulbenkian, começou há dois anos na praia de Carcavelos, em Cascais, e agora está a chegar ao Norte através de Gaia e da comunidade escolar de Canidelo e Vilar de Andorinho.

A estimativa dos responsáveis é alcançar na primeira fase cerca de 240 crianças e jovens, que serão identificados com a ajuda dos agrupamentos escolares e da Câmara de Vila Nova de Gaia, que apoia o projeto através da empresa Águas de Gaia.

O objetivo é usar o surf e o mar em processos de reabilitação psicológica, partindo da convicção de que "crianças e jovens vítimas de situações traumáticas têm uma dificuldade acrescida na ligação e criação de relações significativas e de confiança que se demonstrem transformadoras", como descreveu esta tarde a psicóloga Ema Evangelista, uma das responsáveis do "Wave by Wave".

"Ao retirar os intervenientes da sua zona de conforto inserindo-os num meio natural e aquático, associado a uma situação de 'risco controlado', verificamos uma situação de dependência saudável, onde as pontes de ligação entre os jovens e os adultos de referência acontecem de forma natural e privilegiada", descreve a sinopse do projeto hoje apresentado com a presença da ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques.

As crianças e jovens identificadas em Gaia serão divididas em três grupos de intervenção, sendo que um deles, o considerado "mais desafiante", terá ações na praia e campos semanais. O segundo grupo terá acesso a campos de férias em datas específicas e toda a comunidade educativa será desafiada a ter maior contacto com o mar.

São, de acordo com os responsáveis, benefícios comprovados deste projeto "o facto de os participantes sentirem uma conexão com a natureza quando estão no mar e do surf garantir uma experiência sensorial positiva que auxilia nas aprendizagens e promove a resiliência".

De acordo com o projeto, "a cultura de aceitação permite que os jovens se sintam incluídos" e "o reconhecimento e o reforço positivo auxiliam no desenvolvimento da confiança".

Somam-se como benefícios "a existência de adultos enquanto modelos de referência", bem como a ideia de que "o contacto regular entre participantes e instrutores promove a construção de relações de confiança e fomenta as aprendizagens".

"Temos uma costa de sonho e o mar pode ser usado como terapêutico. O mar tem efeito sobre quem participa e faz com que encontrem uma força que pensavam que não tinham", disse o vice-campeão nacional de surf, José Ferreira.

A par deste projeto também foram apresentados o Cantinho do Estudo, que já é levado a cabo pela Câmara de Gaia e pela Fundação Manuel António da Mota, o "Um por tod@s", que a Associação Leque pretende implementar neste concelho já neste ano letivo, e o "JN Solidário", que reúne quatro ações: encontros de saberes, cidadania pelo acesso crítico à informação, o "todos podemos ajudar" e uma festa que terá lugar no Parque da Lavandeira para juntar diferentes gerações.

"São projetos inovadores que não deixam ninguém para trás. Projetos que procuram incluir. Nuns casos o objetivo é aproximar gerações e com pequenas coisas fazer muito, noutros trata-se de criar respostas que complementem as respostas tradicionais", disse a ministra da Presidência, recordando que "as boas ideias podem capacitar-se" através do Fundo de Inovação Social apresentado na quinta-feira, na Web Summit, em Lisboa.

Em causa está um fundo de 55 milhões de euros para ideias sociais que Maria Manuel Leitão Marques elogiou, porque "às vezes", disse, "basta bater à porta do vizinho ou reavivar o espírito de comunidade para fazer a diferença".

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