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Participar na Web Summit vale mesmo a pena?

08 nov, 2018 - 18:56 • Inês Rocha

Empresários garantem que, mesmo quando saem de bolsos vazios, estar na maior feira tecnológica do mundo é sempre positivo, pela exposição e "networking".
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Com mais de 20 mil empresas, cerca de mil “startups” e outros tantos investidores, a Web Summit é um local de encontro entre quem está em busca investimento e para aqueles que procuram boas ideias nas quais colocar capital.

Mas será que a participação na maior cimeira tecnológica do planeta vale mesmo a pena?

Tim Hur, responsável pela área de negócio da Moin, uma startup que usa a tecnologia de “blockchain” na área das transações financeiras, veio diretamente da Coreia do Sul para apresentar a sua ideia de negócio.

Apesar de ter conseguido um apoio do governo coreano para participar na Web Summit, a empresa gastou quase nove mil euros (e muita energia) para participar na feira.

“Levei mais de 18 horas a chegar, voos loucos, mas acho que valeu muito a pena, conheci muitas pessoas de áreas muito diferentes, e também muitas outras empresas de fintech, portanto deu para discutir como desenvolver o nosso negócio, falar de parcerias e tudo isso”, disse o empresário à Renascença.

Clara Vieira veio de Angola para apresentar a sua plataforma na área da saúde, a Appy People. A startup pagou cerca de mil euros de inscrição, mais passagens aéreas e alimentação para estar na Web Summit. O investimento, segundo a empreendedora, está a valer a pena.

“Compensa, são 70 mil pessoas. Para além de todo o networking que tiramos daqui, ficamos a conhecer as empresas que fornecem serviços que vão servir para melhorar a nossa plataforma, para oferecer ainda mais serviços”.

No entanto, o retorno financeiro demora a chegar e não é certo que exista. “Até agora conseguimos reuniões com investidores, é claro que a resposta não é assim tão imediata. Os investidores normalmente demoram tempo a pensar, somos milhares a tentar a sorte”, explica.

O brasileiro Eduardo Marques, da Bravuz Hire, uma aplicação dedicada ao recrutamento com recurso ao “blockchain”, participa pela segunda vez na Web Summit e está confiante que vai conseguir compensar a inscrição de cerca de mil euros com investimento conseguido na feira.

“No primeiro dia, quando fizemos a nossa exposição, foram mais de sete propostas de investimento, contactos de interessados em investir em nós”.

Ainda assim, mesmo que os contactos não se traduzam em investimento efetivo, Eduardo diz estar contente com o feedback. “Para já, pelo menos o interesse já é uma grande validação”.

O português Basílio Simões, da Vega Ventures, é um dos investidores à solta na Web Summit, que as startups procuram convencer. O empresário explica que a decisão de quais startups apoiar não é tomada durante a cimeira.

“Isto demora tempo a decidir. Aqui faz-se um primeiro contacto, depois é preciso fazer o seguimento e analisar com atenção”, explica.

Para o investidor, a Web Summit é uma grande oportunidade de negócio.

“Nós investimos cerca de um milhão de euros por ano. Algumas das empresas podem estar aqui, outras encontramos no nosso trabalho normal de ‘screening’ que fazemos ao longo de todo o ano”.

Até agora, o português diz que já encontrou algumas empresas dignas de investimento na edição deste ano.

Além de empresas e investidores, há também quem visite a Web Summit apenas para conhecer pessoas e ouvir boas ideias. É o caso de Auslaug Eggertdsdottir, que trabalha na área das tecnologias da informação na Universidade da Islândia.

Auslaug diz não ter tido grandes despesas, já que a Universidade lhe deu um apoio para visitar a feira tecnológica.

"Estou muito feliz com o que vi até agora, com os cartões de contactos que recebi", diz à Renascença.

Com mais ou menos retorno financeiro, os participantes com quem a Renascença falou são unânimes: participar na Web Summit é importante, pelos contactos e exposição que promove, mesmo quando se sai de bolsos vazios.

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