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Quercus alvo de investigação por gestão danosa

08 nov, 2018 - 12:01

Segundo fontes da associação, os gestores da atual administração terão pagamentos em atraso e dívidas avultadas, acima de meio milhão de euros.
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A Quercus está a ser investigada pelo Ministério Público por alegada gestão danosa. É a segunda vez esta semana que a Associação Nacional de Conservação da Natureza é alvo de fortes críticas.

No início da semana, surgiu uma petição contra uma possível venda de terrenos a um dono de zonas de caça. Agora, surgem suspeitas de pagamentos em atraso a fornecedores e funcionários por parte da Quercus. Segundo a revista "Visão", fontes dentro da associação confirmam um clima tenso entre a administração do presidente João Branco e os funcionários.

Há dívidas avultadas que, contam as mesmas fontes, resultaram num pedido de penhora e em corte de serviços. Citando o último relatório de gestão, a "Visão" diz que o valor das dívidas chega a 577 mil euros. Quatro dirigentes de núcleos regionais apontam o dedo à direção por não lhes pagar a quota indicada para cada um.

João Branco desmentiu quaisquer suspeitas de salários em atraso e afirma que as dívidas são comuns a qualquer outra associação ambiental. O presidente acusa ainda as anteriores direções de escavarem o buraco financeiro em que a Quercus se encontra e afirma que os donativos e apoios públicos são insuficientes. Isto apesar de, conta a "Visão", a associação receber 328 mil euros do Fundo Ambiental para 2018, financiado pelo Estado.

Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero e antigo presidente da Quercus entre 1996 e 2001, além de membro da direção até 2011, nega as acusações do atual dirigente sobre salários em atraso ou atraso a pagamento a fornecedores.

O presidente do conselho fiscal da Quercus, João Paulo Pedrosa, afirmou ainda que a Quercus está "mesmo no fim dos recursos".

A revista avança que a Procuradoria-Geral da República confirmou que está em curso um inquérito-crime, entregue ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa. O inquérito-crime está agora sob segredo de justiça.

A Quercus ainda não respondeu à denúncia, mas emitiu um comunicado esta terça-feira, sobre a petição contra a venda dos seus terrenos. A Direção Nacional condenou a petição, classificando-a como "maliciosa", aponta que "conta várias mentiras" e esclarece que está "a avaliar a situação e salienta que não pode vender qualquer terreno sem respeitar disposições estatutárias da Associação, que não foram ainda cumpridas, pelo que é obviamente falsa a informação de que a Direção terá já decidido a venda de qualquer terreno".

O presidente da associação, João Branco, já admitiu que concorda com a venda, apesar das críticas. A petição conta com 1394 assinaturas, à hora de publicação deste artigo.

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