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Tancos. Costa lamenta "jogo político" em torno das Forças Armadas

05 nov, 2018 - 11:25

Primeiro-ministro salienta a total convergência entre o Governo e o Presidente da República sobre esta matéria.
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O primeiro-ministro, António Costa, diz estar em "total convergência" com o Presidente da República no repúdio sobre tentativas de partidarização e de envolvimento das Forças Armadas "em jogos de poder", na sequência do caso de Tancos.

No domingo, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que não será tolerado o uso da instituição militar para "jogos de poder", num discurso na cerimónia que assinalou os cem anos do armistício da I Guerra Mundial.

"Essas palavras, uma vez mais, reafirmam a total convergência entre o Governo e o Presidente da República sobre essa matéria. É absolutamente lamentável a tentativa de partidarização e o jogo político em torno das nossas Forças Armadas", reagiu o líder do executivo, depois de ter presidido à sessão de abertura da "Venture Summit", evento inserido na Web Summit.

Numa alusão às circunstâncias do roubo de armamento em Tancos, Costa declarou que se trata "de um caso lamentável que compete às autoridades judiciárias investigar" e que compete ao poder político "respeitar e confiar nas autoridades para que levam até ao final todas as suas investigações".

António Costa considerou, ainda, "essencial respeitarem-se as autoridades judiciárias, que estão, seguramente, a fazer o seu melhor trabalho, para esclarecerem tudo até ao fim, doa a quem doer, como têm dito o Presidente da República e o Governo ao longo destes anos".

"Como o senhor Presidente da República disse, é absolutamente lamentável tentar-se criar uma espécie de névoa que encubra o essencial: O trabalho das autoridades judiciárias no sentido de fazerem aquilo que lhes compete, que é investigarem o crime, identificarem e capturarem os ladrões, levarem-nos a julgamento - e também cúmplices, se os houver, ou alguém que tenha encoberto ou procurado encobrir a sua identidade", completou o primeiro-ministro.

Conclusão rápida da investigação

Costa salientou "a confiança" no poder judicial e, em concreto, na Polícia Judiciária, a entidade a quem está a cargo a investigação, deixando depois uma mensagem: "Esperamos que tão depressa quanto possível faça a investigação que aguardamos."

"O senhor Presidente da República, aliás, não se tem cansado em expressar publicamente a sua ansiedade e o Governo, naturalmente, deve ser mais contido em expressar a sua ansiedade, mas não é menor. Acho que ninguém compreenderia em Portugal é que, relativamente a este crime, não se chegasse ao final da investigação punindo quem deve ser punido e esclarecendo tudo o que deve ser esclarecido", salientou.

Para o primeiro-ministro, "não é possível procurar-se criar uma névoa política sobre aquilo que é a atividade das autoridades judiciárias".

Mas, neste ponto, António Costa foi mais longe, criticando "teorias conspirativas bastante absurdas, como procurando ver qualquer confrontação entre o Presidente da República e o Governo sobre esta matéria, quando, quer um, quer outro, têm tido uma posição absolutamente convergente desde o primeiro dia".

A investigação do Ministério Público sobre o aparecimento do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da PJM e da GNR.

O caso já provocou duas saídas: o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, que se demitiu e foi substituído por João Gomes Cravinho; o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, também se demitiu, lugar agora ocupado pelo general José Nunes da Fonseca.

O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

As armas apareceram depois em outubro de 2017, na Chamusca. Mas, a listagem do material recuperado - enviada à comissão parlamentar de Defesa - confirma que falta recuperar cinco granadas e mais de 30 cargas de explosivos.

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  • Helena Matos
    07 nov, 2018 coimbra 00:26
    Cada vez q fala sb Tancos Costa deixa-nos mais envergonhados. Já não chegou termos tido um ministro da Defesa q nao sabia o que andava lá a fazer: num caso grave como este a criatura não viu nada, não desconfiou de nada, ninguém lhe contou nada. Mas teve a lata de dizer que se calhar aquilo era a modos q uma brincadeira e se calhar nem tinha havido furto. Ou seja, a personagem nem sabia se havia inventário das munições do paiol e ainda se deu ao luxo de gozar com o pagode sb isso. Não contente com a figura triste do ex ministro vem agora o PM a chutar para outros a responsabilidade da pouca credibilidade q este caso possa carregar para as FA. Quer dizer: Costa fez a figura triste q fez mantendo o tal fulano até mais não poder, qdo já todos se desmentiam uns aos outros e acusavam o ministro de saber de tudo, fica-se nas encolhas qdo se diz q o ministro lhe contou e ele tb sabia ou então, se náo lhe contou, é pq nao lhe passou cartão. E os outros é q se aproveitam e estão a denegrir a imagem das FA? É preciso lata!
  • Filipe
    05 nov, 2018 évora 13:04
    Jogo ? Jogo fizeram esses capangas de vestidos de verdes que se julgam lá por terem armamento disponível uns seres acima da lei . Encobriram TRÁFICO de ARMAS e sabe-se lá mais o que está envolvido e a atual Gerigonça não quer que se saiba . Os ordenados dos militares até são altos mas eles mamam depois a venderem sopas e armas lá fora ... Jogo ? Andam a ameaçar o Ministério Público ? Quem afinal vai se condenado no meio disto tudo ? O Padre da Paróquia ou o tipo que corta o cabelo e faz a barba ? A bem dizer o Sr. Costa já faz parte do encobrimento , portanto é um criminoso sem punição ainda , parece que o Presidente da República também tem inveja de não ter participado do encobrimento impune , quem afinal tem preso e quem afinal vai ser condenado , é isto que interessa . A farsa que montaram tipo desfile , parece o Saddam em apuros no Iraque quando Bush lhe declarou guerra por ter invadido o Kuwait e mesmo assim apresentou melhor armamento que Portugal . Basta hoje um porta aviões dos Estados Unidos para arrasar do mapa Portugal , um país virado para a corrupção , tráfico droga pesada , tráfico de armas e seres humanos . Armamento que nem uma frente de guerra em África dava para começar e Portugal teve três frente ativas de guerra .