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“No final do mês não sobra dinheiro”. Há mais famílias a pedir ajuda à Deco

31 out, 2018 - 07:30

Taxa de esforço mensal aumentou chegando agora aos 72%. Conheça as três regras para evitar o sobreendividamento.
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Até outubro, a Deco recebeu 26.180 pedidos de ajuda por parte de famílias sobreendividadas, um problema que afeta cada vez mais pessoas divorciadas, solteiras e viúvas. Em média, estas famílias têm 820 euros em prestações para pagar todos os meses.

Na Manhã da Renascença, a propósito do Dia Mundial da Poupança, que esta quarta-feira se assinala, Natália Nunes, porta-voz do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS), revela que já recebeu mais 100 pedidos face ao mesmo período do ano passado.

“Não é muito significativo face a 2017, mas a verdade é que se regista este aumento e a verdade é que no dia a dia verificamos que nos estão a chegar mais situações, tanto aqui em Lisboa como na região norte, no Porto”, disse.

Natália Nunes refere que está a mudar o perfil e quem pede ajuda. “Nos últimos anos eram famílias de dois a três elementos, neste momento são agregados compostos por apenas um único elemento e representam já 47% das situações (pessoas divorciadas, viúvas ou solteiras)”.

Outra das alterações é o aumento da taxa de esforço que as prestações mensais representam no rendimento, que já tinha manifestado uma tendência crescente no ano passado – passando de 67% para 70% - e que este ano voltou a aumentar, chegando aos 72%.

“Isto significa que o peso das prestações de crédito no rendimento mensal das famílias está a aumentar. No final do mês não sobra dinheiro.”

Causas do sobreendividamento

A responsável apontou ainda algumas alterações registadas pela Deco relativamente aos pedidos de ajuda recebidos, sobretudo as causas, ganhando agora terreno situações como pequenos investimentos mal sucedidos (6%), o apoio aos ascendentes (5%) e a passagem à reforma (2%).

“Se é verdade que o desemprego é tradicionalmente a principal causa, embora com menor peso face ao que se verificava em 2017 (30% das situações eram causadas pelo desemprego, neste momento são 20%), há outras causas a ganharem terreno, como a questão dos negócios e investimentos mal sucedidos, o apoio aos ascendentes (5%) e a passagem à reforma”, disse Natália Nunes.

Apesar dos dados negativos, a Deco realça um ponto positivo detetado no relatório, que mostra uma redução (de 55% para 49%) do crédito em incumprimento e uma subida (de 45% para 51%) do crédito regularizado.

Segundo Natália Nunes, isto “significa que as famílias estão a pedir ajuda numa fase em que ainda se consegue resolver a situação, apesar de muito deste crédito estar, de facto, na iminência de entrar em incumprimento”.

Os dados da Deco indicam que os pedidos de ajuda vêm sobretudo de pessoas do setor privado (43%) e desempregadas (20%).

Dos pedidos de ajuda recebidos, a Deco acabou por abrir entre janeiro e outubro deste ano 2.077 processos de sobre-endividamento, um pouco mais do que em período homólogo do ano passado (2.001).

As famílias acompanhadas pela Deco têm uma média de cinco créditos, o montante médio do crédito à habitação é de 85.000 euros, o montante médio dos créditos pessoais é 16.500 euros e o valor total dos cartões de crédito chega aos 7.500 euros.

Como conseguir poupar?

A propósito do Dia Mundial da Poupança, Natália Nunes deixa três conselhos que atuam como uma proteção para evitar dificuldades.

- Fazer um orçamento mensal para saber onde se gasta o dinheiro. Isto acaba por ser um travão e leva a tomar decisões com bom senso.

- Respeitar a nossa taxa de esforço e não deixar que o peso com os créditos ultrapasse os 35% do rendimento mensal.

- Devemos ter uma poupança que pode ser usada para diversos fins: para sonhos, acautelar o futuro, mas também para imprevistos. Esta bolsa deve representar cinco ou seis vezes o rendimento mensal.

Comentários
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  • António Tadeu
    12 nov, 2018 Almada 08:06
    Não acabou a austeridade?... Sim a fórmula é: facilitar o consumo. Quanto às poupanças apenas devem ficar debaixo do colchão pois os juros ao consumo são obscenamente elevados mas os juros às poupanças são obscenamente nulos.
  • Maria Manuela Nunes das Neves
    31 out, 2018 17:15
    Como é possível num país onde os portugueses vivem melhor e com mais dinheiro, segundo ouvi o primeiro ministro dizer no Parlamento?
  • Filipe
    31 out, 2018 évora 12:40
    E ainda vão ser mais , então este Governo o que fez bem pior que o anterior , foi de criar uma economia virtual , onde os bancos emprestaram a quem não pode pagar um dia . Os juros da habitação estão previstos subirem , não muito mas vão subir e mesmo uma pequena subida de 1 ou 2 % , faz arrebentar esta economia fantasma . Esperem sentados ...não falta muito .