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PSD. "Não houve nenhum saneamento nem haverá", garante Negrão

11 out, 2018 - 18:34

Líder parlamentar social-democrata confirma que houve deputados a dizer que não estão disponíveis para tratar alguns temas.
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O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, rejeita que algum deputado do PSD tenha sido silenciado por si ou por instruções da direção, salientando ser natural que os protagonistas mudem quando a liderança do partido muda.

"Nunca silenciámos nenhum deputado e nunca recebemos qualquer instrução da direção do partido no sentido de silenciar o deputado A ou B", assegurou Fernando Negrão, questionado pelos jornalistas à porta do grupo parlamentar do PSD.

Depois de uma reunião da bancada, hoje de manhã, na qual ouviu críticas de que alguns deputados estariam a ser silenciados -- que partiram da antiga vice-presidente da bancada Teresa Morais e foram apoiadas por outros parlamentares -, Negrão disse ter ouvido essas palavras "com naturalidade", uma vez que "todos os deputados são livres de fazer as críticas que entenderem".

"Sabem bem ou tão bem como eu que houve uma mudança de direção do partido, quando há mudança os protagonistas normalmente mudam, mas isto não quer dizer que os protagonistas anteriores sejam saneados. Não houve nenhum saneamento nem haverá", afirmou.

No entanto, Negrão apontou existirem casos de deputados a quem é pedido para usar da palavra, em conferências de imprensa, em plenário ou em comissões, e que dizem que "não estão disponíveis".

"Naturalmente que não quero personalizar", afirmou, dizendo que há "razões legítimas" para tal recusa, como não partilhar da opinião da direção do partido sobre determinada matéria ou não acompanhar o 'dossier' desde o início.

Questionado porque não negou categoricamente a existência de silenciamento dos deputados quando foi confrontado com esta matéria na reunião, Negrão disse ter por hábito "ouvir e registar as opiniões dos senhores deputados, depois reunir com a direção do grupo parlamentar, eventualmente com a direção do partido, e na reunião seguinte dar resposta".

"Esta reunião foi dois terços sobre Tancos e esse é o verdadeiro problema que o país está a atravessar, agradeço as perguntas sobre estas questões laterais e mesquinhas do que se passou na reunião do grupo parlamentar, mas peço encarecidamente que se preocupam com os problemas do país", disse.

Negrão acusou o Governo e o primeiro-ministro de "banalizarem todos os dias" o caso do furto de armas em Tancos e fez um pedido à comunicação social: "Não acompanhem o primeiro-ministro na banalização do problema de Tancos".

Sobre este tema, e questionado sobre a frase do primeiro-ministro no debate quinzenal de que "um dia" se conhecerá o que os vários protagonistas políticos sabiam sobre o caso Tancos, Negrão acusou António Costa de ter "uma prática de insinuações, principalmente quando é encostado à parede".

Já sobre a carta que há 15 dias António Costa prometeu escrever-lhe e Negrão prometeu divulgar -- também ela relacionada com questões de palavra no caso de Tancos -, o líder parlamentar apenas revelou que "brevemente haverá notícias", sem esclarecer se recebeu ou não a missiva.

Questionada pelos jornalistas, a deputada do PSD Teresa Morais escusou-se a desenvolver o que disse hoje na reunião da bancada, remetendo para um artigo de um jornal que será publicado na sexta-feira.

Na reunião à porta fechada, segundo relatos feitos à Lusa, Teresa Morais levantou a questão do "silenciamento" a que considera terem sido votados muitos dos deputados da bancada, que não são chamados a intervir em nome do partido, questionando o sentido de tal estratégia, "sobretudo num ano eleitoral, em que o partido precisa de todos".

Na reunião, Fernando Negrão remeteu a questão para "uma reflexão" que levaria à direção do partido, o que motivou críticas de Hugo Soares, anterior líder parlamentar.

Hugo Soares considerou que, mais grave que uma deputada sentir que há silenciamento de alguns parlamentares, é tal não ter sido "desmentido categoricamente".

Também a ex-ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz manifestou total concordância com a intervenção de Teresa Morais.

"Há um conjunto de deputados a quem neste momento não é distribuído trabalho e que são manifestamente silenciados", acusou.

Ao contrário do habitual, não houve declarações à imprensa no final da reunião.

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